Itaú BBA prevê 10% de crescimento no crédito do Agro em 2026: o que esperar?

Projeção de Crescimento do Crédito do Agronegócio do Itaú BBA para 2026
A carteira de crédito do agronegócio do Itaú BBA deve apresentar um crescimento de aproximadamente 10% em 2026. Esse valor representa um aumento em relação aos R$ 135 bilhões registrados no final do ano passado. A previsão ocorre mesmo em um cenário onde as margens dos produtores de grãos estão mais apertadas, o que tende a diminuir o apetite por novos investimentos, conforme apontou Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do banco, à Reuters.
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Impactos Geopolíticos e Setores Favoráveis
A situação geopolítica, como a guerra no Irã, eleva os custos operacionais para os agricultores, especialmente em relação a combustíveis e fertilizantes. Contudo, esse cenário pode beneficiar produtores de etanol de cana-de-açúcar e milho. Isso acontece porque os preços mais altos do petróleo impulsionam o consumo de biocombustíveis, inclusive com o aumento da mistura na gasolina, conforme estudado pelo governo brasileiro.
Setores em Destaque no Agronegócio
Além disso, alguns segmentos produtivos demonstram bom desempenho. A pecuária, por exemplo, registra preços próximos de recordes para a arroba bovina, impulsionada pela forte demanda chinesa. O café e o algodão também são setores positivos, sendo que o algodão tem mostrado uma recuperação recente em suas cotações.
Visão de Oportunidades em Tempos Desafiadores
Fernandes declarou que, em 2026, o crescimento será marcado por uma maior seletividade na concessão de crédito, mas ainda assim será significativo. Ele ressaltou que os momentos de maior desafio costumam ser sinônimos de grandes oportunidades, citando, por exemplo, chances de aquisições de empresas.
Posicionamento do Itaú BBA no Mercado de Crédito Rural
O Itaú BBA pode assumir o papel de bancos que estão sendo mais restritivos com o agronegócio, um setor que lida com juros elevados, maior alavancagem e um volume considerável de recuperações judiciais, particularmente na área de grãos como a soja.
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Esse crescimento na carteira do banco está alinhado com os avanços observados nos últimos anos em termos absolutos, contando com a base atual de clientes.
Análise Setorial: Açúcar, Etanol e Café
O setor de açúcar e etanol é apontado como um grande impulsionador. O executivo mencionou que o banco possui historicamente uma posição importante nesse segmento, onde percebe um crescimento na penetração de seus serviços. Embora os preços do açúcar oscilem nos menores patamares em cinco anos na bolsa de Nova York, grande parte do setor conseguiu capitalizar em um período anterior de margens elevadas.
Perspectivas para Cana-de-Açúcar e Café
Fernandes não acredita que o setor deixe de investir na renovação dos canaviais, mesmo com os preços baixos. Ele enfatizou que o momento atual exige que todos os participantes entendam que a produtividade agrícola é crucial para a competitividade a longo prazo.
Sobre o café, ele observou que os preços da commodity caíram de patamares muito altos, passando para um nível considerado bom, mas não mais recorde.
Preocupações com Inadimplência e Próximas Safras
Em relação à inadimplência, o diretor espera estabilidade no período crítico de vencimentos de financiamentos, entre o início de abril e o final de maio, apesar dos desafios da guerra e do aumento dos custos com diesel. Sua melhor estimativa aponta para uma inadimplência igual ou menor que a registrada no ano anterior.
Apesar dos desafios, o banco não alterou seu pacote de garantias nem seus planos para o agronegócio. Ele reforçou que, embora seja um momento de margens difíceis, o banco não fará revisão estratégica para diminuir seu foco no setor, pois o agronegócio é inerentemente cíclico.
Os efeitos da guerra no Irã pesarão mais no planejamento da safra de grãos 2026/27, mas a safra 2025/26 já está plantada, o que atenua o impacto imediato.
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