Irani Melika Barahimi, 23 anos, viraliza com ato de resistência contra o regime de Khamenei. Vídeo chocante expõe a luta do povo iraniano.
A iraniana Melika Barahimi, de 23 anos, viralizou nas redes sociais após compartilhar um vídeo que se tornou um símbolo da crescente resistência no Irã. No vídeo, ela é vista em um estacionamento acendendo um cigarro nas chamas de uma fotografia do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.
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O ato, além de protestar contra o regime teocrático, também reflete um grupo de indivíduos para quem fumar é um ato estigmatizado na sociedade iraniana.
Em entrevista à agência, conduzida por meio do X (anteriormente Twitter), Barahimi, residente perto de Toronto, Canadá, explicou que gravou o vídeo para demonstrar solidariedade com seus compatriotas, sem prever a ampla divulgação. “Queria que fosse compartilhada entre o meu povo, para que soubessem que ainda estou com eles, apesar de ter sido forçada a emigrar após o regime me condenar a anos de prisão por criticar Khamenei”, declarou.
Barahimi relatou ter sido detida pela primeira vez aos 17 anos, durante manifestações em novembro de 2019. Sua segunda detenção ocorreu em 2024, após a publicação de comentários no Instagram relacionados à morte do presidente Ebrahim Raisi (1960-2024). “Como estava sob vigilância da República Islâmica, fui detida em minha própria casa em Isfahan dias depois”, disse à Lusa.
Após sua libertação sob fiança, Barahimi fugiu para a Turquia, onde obteve um visto de estudante para o Canadá. Esse evento se insere em um contexto de protestos contínuos no Irã, impulsionados por uma grave crise econômica, que inclui alta inflação, desvalorização da moeda e aumento dos preços de bens essenciais.
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A população exige reformas políticas e judiciais, além de maior liberdade.
O gesto de Barahimi ecoa outros atos simbólicos realizados por mulheres iranianas, como o corte de cabelo e a queima de hijabs, que ocorreram em 2022, após a morte de Nika Amini, uma jovem curda de 22 anos, presa sob a acusação de usar o hijab de maneira inadequada.
Sua morte provocou protestos reprimidos com força.
O aiatolá Ali Khamenei comanda o Irã desde 1989. O país é uma teocracia islâmica xiita, onde o líder supremo exerce autoridade vitalícia sobre todos os poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, incluindo o uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e a necessidade de autorização marital para viagens internacionais.
A oposição no Irã permanece fragmentada, composta por monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem uma liderança unificada.
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