Considerações sobre uma Potencial Ação Militar dos EUA contra o Irã
Os Estados Unidos estão avaliando a possibilidade de novas intervenções militares no Irã, em resposta à repressão violenta de protestos contra o governo. A complexidade do sistema político iraniano, a influência da Guarda Revolucionária Islâmica e a natureza ideológica do apoio popular dificultam a previsão de como o país reagiria a um ataque externo.
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A questão central é entender a resiliência ou vulnerabilidade do Irã diante de uma ação militar, e as implicações que isso poderia ter.
O Sistema Político Iraniano e o Líder Supremo
O Irã opera sob a teoria do “vilayat-e faqih”, que estabelece que, até o retorno do 12º Imã xiita, o poder deve ser exercido por um clérigo supremo. O aiatolá Ruhollah Khomeini, o primeiro Líder Supremo, foi a figura central da Revolução Islâmica de 1979.
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Seu sucessor, o atual Líder Supremo, Ali Khamenei, consolidou seu papel desde 1989, garantindo que ele detivesse a palavra final em todas as decisões políticas. A estrutura do governo é paralela à do governo eleito, com o Líder Supremo exercendo controle sobre todos os aspectos do poder.
O Papel da Guarda Revolucionária Islâmica
Diferentemente das forças armadas comuns, que respondem ao governo eleito, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) responde diretamente ao Líder Supremo. Formada após a revolução, a IRGC expandiu sua influência na defesa do sistema islâmico durante a guerra com o Iraque (1980-1988) e atualmente é o ramo mais forte e bem equipado das forças armadas do Irã.
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Além disso, a Guarda Revolucionária estendeu sua influência no mundo dos negócios, através da empresa Khatam al-Anbiya, que ganhou projetos de bilhões de dólares no setor de petróleo e gás do Irã.
A Força Quds e a Influência Regional
A Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária, liderou a estratégia regional do Irã de apoio a grupos xiitas afiliados em todo o Oriente Médio, principalmente no Líbano e no Iraque. Essa estratégia foi severamente afetada pelo assassinato do comandante da Força Quds, Qassem Soleimani, pelos EUA em um ataque aéreo no Iraque em 2020, e pela ofensiva de Israel contra o Hezbollah libanês em 2024.
A milícia Basij, uma força paramilitar de meio período sob o controle da Guarda Revolucionária, é frequentemente usada para reprimir protestos dentro do Irã.
Eleições e o Sistema Político Iraniano
Os iranianos elegem um presidente e um parlamento para mandatos de quatro anos. O presidente nomeia um governo que administra as políticas diárias dentro dos parâmetros permitidos pelo Líder Supremo. Embora as primeiras eleições da República Islâmica tenham atraído alta participação, restrições do Conselho dos Guardiães aos candidatos e o resultado contestado das eleições de 2009 minaram a confiança de muitos eleitores.
O presidente eleito em 2024, após um segundo turno com aproximadamente metade do eleitorado, derrotou Saeed Jalili, um leal a Khamenei. O presidente do parlamento desde 2020 é o ex-comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Baqer Qalibaf.
Conclusão: Uma Análise Complexa
A situação no Irã é complexa, envolvendo considerações políticas, religiosas e militares. A avaliação de uma possível ação militar dos EUA deve levar em conta a natureza do sistema político iraniano, o papel da Guarda Revolucionária e as implicações regionais.
A incerteza em torno do futuro do Líder Supremo, Ali Khamenei, e a dinâmica em torno do poder dentro do Irã, tornam a situação ainda mais desafiadora.
