Irã intensifica repressão após protestos: Judiciário anuncia julgamentos severos e mais de 26 mil prisões. A situação é vista como grande desafio ao regime.
O Irã intensificou suas medidas repressivas no domingo, 25 de janeiro, direcionadas aos indivíduos envolvidos nos protestos que eclodiram no país no início do mês. O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, declarou que os responsáveis por atos de violência, incluindo assassinatos, incêndios criminosos e massacres, serão julgados sem qualquer leniência.
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A declaração representa uma escalada no discurso autoritário da República Islâmica.
Segundo o portal oficial do Judiciário iraniano, Mizan, Mohseni Ejei enfatizou que a justiça exige a punição severa dos criminosos. Ele também mencionou uma demanda popular por julgamentos rápidos e punições para aqueles considerados responsáveis pelos tumultos, atos de terrorismo e violência.
Os protestos, iniciados no início de janeiro como manifestações contra o aumento do custo de vida, evoluíram para um movimento de contestação mais amplo, envolvendo críticas ao governo e à repressão da população. Observadores internacionais consideram esses eventos como um dos maiores desafios ao poder dos líderes religiosos do país.
Em resposta, o governo implementou medidas como a interrupção do acesso à internet, restringindo severamente a comunicação e isolando o país do mundo exterior. Durante o período de maior repressão, diversos serviços de comunicação foram interrompidos, dificultando a divulgação de informações e a cobertura jornalística internacional.
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O governo iraniano divulgou dados sobre o número de mortos, classificando 2.427 vítimas como “mártires”, designação aplicada a membros das forças de segurança e civis considerados inocentes pelos manifestantes, rotulados como violentos e influenciados por forças externas.
As estatísticas oficiais são contestadas por organizações internacionais de direitos humanos. A Iran Human Rights, com sede na Noruega, estima que o número real de mortos seja superior. A Human Rights Activists News Agency (HRANA), com base nos Estados Unidos, informou que mais de 26 mil pessoas foram presas por participar ou apoiar os protestos, muitas vezes sem acusações formais ou direito à defesa.
O Irã é historicamente o segundo país do mundo com maior número de execuções, atrás apenas da China. A Anistia Internacional registrou pelo menos 576 execuções em 2022, com tendência de aumento nos anos seguintes. Com o endurecimento do discurso oficial, há receio de que o Judiciário iraniano utilize execuções públicas como forma de intimidação e repressão à dissidência.
Em manifestações anteriores, prisioneiros políticos foram condenados à morte por crimes como “inimizade contra Deus” e “corrupção na Terra”, acusações frequentemente utilizadas contra opositores. A comunidade internacional tem demonstrado cautela, com diversos países ocidentais pedindo acesso de observadores independentes e o Conselho de Direitos Humanos da ONU solicitando transparência e respeito ao devido processo legal nas apurações e julgamentos dos detidos.
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