Retomada da Tensão Nuclear com o Irã
O retorno de Donald Trump à política externa dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre o programa nuclear iraniano, com exigências que, segundo especialistas, representam um desafio quase intransponível para o governo de Teerã. As condições impostas visam não apenas o programa nuclear do país, mas também toda a sua estratégia de defesa na região.
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O líder americano estabeleceu três pontos cruciais para o Irã. Em primeiro lugar, a completa desativação do programa nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio para fins civis, algo que o Irã considera um direito soberano e que nunca aceitou renunciar.
Em segundo lugar, a suspensão do programa de mísseis balísticos convencionais, que o Irã vê como essencial para sua defesa e como um instrumento de dissuasão. Foi a pressão sobre este ponto que levou Trump a romper o acordo nuclear de 2015, em resposta a pressões de Israel, que considerava o acordo de 2015 insuficiente por não incluir restrições aos mísseis iranianos.
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Outra exigência central é a interrupção do apoio do Irã a milícias aliadas em países como o Líbano (Hezbollah), na Síria e no Iraque, além de grupos como Hamas e a Jihad Islâmica nos territórios palestinos, e os Houthis no Iêmen. O Irã considera essa rede de aliados regionais fundamental para sua influência no Oriente Médio.
Além disso, há preocupações crescentes com a possível cooperação entre o Irã e a Rússia no desenvolvimento de tecnologias militares. Há especulações de que, em troca do fornecimento de drones e mísseis iranianos para a Ucrânia, a Rússia possa estar auxiliando o Irã a superar lacunas em sua tecnologia nuclear, incluindo a produção de ogivas e o desenvolvimento de sistemas de gatilho para armas nucleares.
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Apesar das declarações de Trump sobre ter “destruído” a capacidade nuclear iraniana em junho, informações de serviços de inteligência americanos indicam que o Irã continuou a desenvolver seu programa nuclear de forma subterrânea, mesmo após os ataques.
Analistas apontam que o Irã dificilmente aceitará as condições impostas, dada que a principal fonte de legitimidade do regime é sua independência em relação às potências estrangeiras, que consideram suas capacidades militares, tanto convencionais quanto o programa nuclear, essenciais para sua sobrevivência em um cenário regional instável.
