Irã e EUA Retomam Negociações Nucleares com Expectativas e Divergências
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sinalizou neste sábado que as discussões sobre o programa nuclear com os Estados Unidos devem acontecer em breve. Ao mesmo tempo, reforçou as posições de Teerã, que incluem a rejeição ao enriquecimento de urânio em níveis baixos e a manutenção do programa de mísseis balísticos, com alcance de até 2 mil quilômetros.
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Araghchi afirmou que o Irã prioriza a via diplomática em vez de um conflito militar direto, mas ressaltou que o país responderá com ataques a bases americanas caso seja atacado.
“Acredito que a segunda rodada de negociações ocorrerá nos próximos dias”, declarou Araghchi em uma entrevista à emissora Al Jazeera, em Doha, um dia após o reinício das conversas nucleares com os Estados Unidos em Omã. Segundo informações da agência EFE, o novo encontro poderia se realizar em um local diferente de Mascate, e o Irã demonstrou disposição para “negociar com rapidez e alcançar um acordo justo”.
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Um ponto de discordância central é o nível de enriquecimento de urânio. Apesar de expressar flexibilidade em reduzir esse nível, Teerã se recusa a aceitar a proibição do enriquecimento ou a perda do material já enriquecido, que inclui 440 quilos de urânio com 60% de pureza, um patamar próximo ao utilizado em armas nucleares.
O ministro também reiterou que o programa de mísseis balísticos é uma questão puramente defensiva e não está aberto à negociação.
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Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio já declarou que qualquer acordo com o Irã deve abordar o programa nuclear, a limitação dos mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos regionais como Hamas, Hezbollah e os Houthis do Iêmen.
As conversas, classificadas como positivas, ocorreram entre Araghchi, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e Jared Kushner, por meio da mediação do chanceler de Omã, Badr bin Hamad al Busaidi.
As negociações foram retomadas após a pressão exercida pelo governo de Donald Trump, que enviou o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de combate para o Golfo Pérsico, em resposta às tensões com o Irã. O encontro marcou o primeiro contato direto entre os dois países desde o conflito de junho do ano passado, que envolveu bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas, interrompendo a capacidade de enriquecimento de urânio do país.
O contexto interno no Irã é marcado por uma grave crise. Em janeiro, o país enfrentou protestos violentos, impulsionados por uma crise econômica, descontentamento popular, uma seca severa e escassez de recursos. A repressão resultou em mortes e prisões, com estimativas conflitantes sobre o número total de vítimas.
As negociações nucleares ocorrem em um momento de incerteza e complexidade, com implicações para a segurança regional e o futuro do programa nuclear iraniano. A busca por um acordo justo e duradouro exige compromissos de ambas as partes, visando garantir a não proliferação nuclear e a estabilidade na região.
