Irã: Apagão Digital Prolongado Suscita Preocupações com Censura e Repressão

Irã enfrenta apagão digital histórico, gerando preocupação com censura e controle. Monitoramentos mostram interrupção de internet que ultrapassa 200 horas. Protestos e resposta das forças de segurança intensificam a crise

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(Imagem de reprodução da internet).

Irã Enfrenta Apagão Digital de Longa Duração, Elevando Preocupações com Censura e Controle Social

O Irã está atualmente imerso em um cenário de isolamento digital, marcado por um apagão quase total de internet. Monitoramentos independentes revelam restrições de conectividade que já ultrapassam 200 horas consecutivas, representando o mais longo apagão efetivo registrado no país.

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O evento começou em 28 de dezembro de 2025, com o apagão em 8 de janeiro de 2026, e se estende até o sábado, 17 de janeiro de 2026, com 20 dias e 9 dias consecutivos de interrupção. Essa situação se agrava em um contexto de instabilidade interna, com protestos espalhados por diversas regiões e uma resposta cada vez mais dura das forças de segurança.

A situação levanta sérias preocupações sobre o uso do controle digital como ferramenta de repressão política.

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Impacto e Contexto do Apagão

Os protestos, que começaram em 28 de dezembro de 2025, desencadearam um apagão em 8 de janeiro de 2026, com 20 dias e 9 dias consecutivos de interrupção. A duração do evento, combinada com a intensidade dos protestos, intensifica a preocupação com o uso do controle digital como ferramenta de repressão política.

O governo tem utilizado medidas de exceção, como o emprego da força e o isolamento digital, para conter as mobilizações e manter o controle social. Dados do NetBlocks mostram uma queda abrupta e sustentada do tráfego de internet, com impacto generalizado nas comunicações, serviços digitais e acesso à informação.

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O governo enfrenta dificuldades para conter as mobilizações, o que tem levado ao uso recorrente de medidas de exceção.

Monitoramento e Análise da Interrupção

Grupos especializados, como o NetBlocks, monitoram a conectividade global e conseguem identificar quando a internet é desligada total ou parcialmente. Eles cruzam dados técnicos de tráfego, medições de latência, acesso a serviços essenciais e informações fornecidas por provedores, usuários e sistemas automatizados de monitoramento.

Essa análise permite determinar se a interrupção é nacional ou regional e se é contínua ou intermitente. Os dados são amplamente utilizados por veículos internacionais, pesquisadores e organismos de direitos humanos para documentar casos de censura digital.

O governo tem justificado cortes semelhantes como necessários para conter protestos, combater “desinformação” e preservar a segurança nacional.

Tecnologias de Anonimização e o Desafio da Prova

O especialista em segurança cibernética da , , detalha que o apagão total não é apenas uma falha técnica, mas uma ferramenta política. “É uma ruptura adotada às vezes como estratégia, talvez até mesmo como forma de caos controlado. Cortar a comunicação é uma das estratégias de ‘desestabilizar’, de ‘confundir e desorganizar’ o inimigo.

Táticas que refletem um pouco da ‘A arte da guerra’ de Sun Tzu”. Para Hori, redes de anonimização, como a Tor, tornam-se “essenciais” para cidadãos que tentam escapar da censura em regimes autoritários. O avanço do autoritarismo empurra a população para ferramentas ainda menos reguladas e mais difíceis de rastrear.

Conclusão

A situação no Irã destaca a crescente preocupação com o uso do controle digital como ferramenta de repressão política. A interrupção prolongada da internet amplia o risco de perseguição a opositores e aprofunda a ruptura entre Estado e sociedade.

A comprovação de um apagão proposital depende do acesso a dados que o próprio regime censurador pode ocultar ou alterar.

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