Ipsos aponta ceticismo: o que freia a compra de carros elétricos no Brasil?

Estudo da Ipsos Revela Ceticismo do Consumidor sobre Carros Elétricos
Um novo levantamento conduzido pela companhia de pesquisas Ipsos indica que o consumidor ainda não está totalmente convencido sobre a compra de veículos elétricos. A pesquisa Mobility Report, realizada em 31 países, mostrou que apenas 47% dos entrevistados se sentem atraídos pela ideia de dirigir um carro elétrico.
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Curiosamente, a aceitação dos modelos elétricos é menor nas grandes economias mundiais. Em contrapartida, o interesse é mais elevado em nações emergentes, como na Ásia e na América Latina. O Brasil, nesse cenário, ocupa a 11ª posição, com apenas 36% dos consumidores manifestando atração por carros elétricos.
Panorama do Mercado Brasileiro de Veículos Elétricos
Os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico apontam que o mercado encerrou 2025 com a venda de 223.912 unidades de veículos elétricos, representando um aumento expressivo de 24% em comparação com 2024.
Esse volume de vendas é dez vezes superior ao crescimento registrado nos veículos leves, que tiveram um avanço de apenas 2,6% no mesmo período. A participação dos eletrificados no mercado nacional também foi notável, alcançando 9% das vendas totais de veículos leves no ano passado.
Desafios de Infraestrutura Freiam o Crescimento
Apesar dos avanços de vendas, os desafios de infraestrutura continuam a retardar o crescimento do setor. Um obstáculo significativo é a baixa quantidade de carregadores disponíveis, somada à sua distribuição desigual.
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A concentração de eletropostos é maior nas regiões Sul, Sudeste e nas capitais, o que dificulta o uso no interior do país ou em trajetos que dependem de recarga pública. Além disso, a predominância de carregadores mais lentos diminui a praticidade diária e em viagens rodoviárias.
Diferenças de Interesse por Geração e Região
A pesquisa da Ipsos também detalhou variações de interesse por grupos demográficos. Foi observado que as mulheres da geração Baby Boomer demonstraram ser o grupo menos interessado em VEs, com apenas 31% de atração.
Em comparação, os homens dessa mesma geração apresentaram um interesse maior, chegando a 39%. A média geral de interesse entre todos os entrevistados, contudo, foi de 54%, indicando um interesse moderado no setor.
O Contraste com o Mercado Chinês
Na China, o país que mais aceita carros elétricos, o cenário é muito diferente. Um expressivo 67% dos entrevistados afirmaram sentir-se atraídos por veículos movidos a bateria. Em 2025, o país registrou mais vendas de elétricos e híbridos plug-in do que de carros a combustão.
Os consumidores chineses são otimistas, com 73% acreditando que muitos adotarão essa categoria de carro nos próximos cinco anos. Esse entusiasmo é sustentado por uma rede de recarga muito mais robusta que a brasileira.
Infraestrutura de Recarga Comparada
Ao final de 2025, a China já contava com aproximadamente 16 milhões de pontos de recarga, número muito superior aos cerca de 15 mil eletropostos existentes no Brasil. Há projeções de que o país asiático possa ter ultrapassado os 20 milhões de postos.
Adicionalmente, a China conta com políticas urbanas e fiscais que favorecem o modelo elétrico. Isso inclui restrições para carros a combustão em certas áreas e regras de licenciamento mais favoráveis aos veículos movidos a eletricidade.
Perspectivas Futuras para o Setor Automotivo
O mercado brasileiro de veículos elétricos mostra sinais de crescimento robusto, como evidenciado pelas vendas de 2025. No entanto, para que o potencial seja totalmente realizado, é crucial superar os gargalos de infraestrutura e alinhar as expectativas do consumidor com a realidade da rede de recarga.
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