Pesquisadores do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) da UFRGS, em parceria com a ANA (Agência Nacional de Águas), alertaram para um aumento significativo na frequência de eventos de enchentes na região Sul do Brasil. O estudo, divulgado em 25 de novembro de 2025, aponta que essas ocorrências podem se tornar cinco vezes mais comuns até o final do século.
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Projeções de Elevação das Cheias
A pesquisa estima elevações no nível das cheias. Em áreas serranas, as projeções indicam um aumento de até três metros, enquanto em regiões planas dos três estados sulistas, o aumento seria de até um metro. O estudo considera um período de análise que vai até o ano de 2100.
Crescimento das Vazões Máximas
A análise de oito grandes bacias hidrográficas brasileiras revelou um crescimento projetado nas vazões máximas de cheias frequentes. No Paraná, espera-se um aumento de 18% nessas vazões, que ocorrem em intervalos menores que 10 anos. Em Santa Catarina, a projeção é de 17%, e no Rio Grande do Sul, de 14%.
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Risco para Populações Vulneráveis
O estudo identifica populações em risco, especialmente aquelas que vivem às margens dos rios Jacuí, Caí e Taquari no Rio Grande do Sul, com destaque para a cidade de Porto Alegre. Em Santa Catarina, a bacia do rio Itajaí-Açu, que atinge cidades como Blumenau, Itajaí e Navegantes, também será impactada.
Mudanças Climáticas e Períodos Secos
A pesquisa indica que, mesmo com um aumento previsto nas precipitações médias anuais (4,8% no Rio Grande do Sul e 4,7% em Santa Catarina), a duração dos períodos secos deve crescer. No Rio Grande do Sul, a projeção é de um aumento de 3 dias, enquanto em Santa Catarina, a expectativa é de 5 dias.
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No Paraná, a situação é mais grave, com uma projeção de queda de 2% na precipitação anual e um aumento de 10 dias no período seco.
Metodologia e Limitações
Os pesquisadores utilizaram um modelo hidrológico, que simula fluxos de água e ondas de cheia, em conjunto com 28 GCMs (Modelos Climáticos Globais). Os resultados foram comparados com dados históricos de 1951 a 2014. O estudo reconhece limitações, como a possível subavaliação das mudanças devido à sensibilidade limitada dos modelos climáticos e a imprevisibilidade de fenômenos ainda desconhecidos.
