Investimento Direto no Brasil bate recorde em dezembro de 2025 com saída líquida de US$ 5,25 bilhões. Tributação sobre dividendos impulsiona retirada de capital
O Brasil registrou uma saída líquida de US$ 5,25 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) em dezembro de 2025. Este valor representa o maior saldo negativo mensal da série histórica, iniciada em 1995. A retirada significativa de recursos foi influenciada pela implementação de um imposto sobre dividendos remetidos ao exterior.
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O Poder360 já havia noticiado que o país registrou a maior saída líquida no fluxo cambial em 6 anos em 2025. Em dezembro, o volume de recursos que deixaram o país atingiu US$ 12,2 bilhões. A tributação de dividendos impactou negativamente as contas externas do Brasil, especialmente do IDP.
A conta de renda primária registrou um déficit de US$ 9,2 bilhões em dezembro de 2025. As despesas com lucro e dividendos remetidos de investimento direto aumentaram de US$ 8,8 bilhões em dezembro de 2024 para US$ 18,0 bilhões em dezembro de 2025.
Em 2025, o saldo negativo da renda primária alcançou US$ 81,3 bilhões, representando 3,57% do Produto Interno Bruto (PIB).
Luiza Pinese, economista da XP, observou que “a dinâmica mostrou que menores receitas de lucros de investimento direto (US$ –5,5 bilhões ao longo de 2025) foram compensadas por menores despesas com juros (US$ –2,6 bilhões) e com lucros e dividendos (US$ –2,4 bilhões)”.
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O fluxo cambial costuma ser negativo no último mês do ano, devido à remessa de lucros e dividendos para fora. Agentes financeiros avaliam que o início de uma tributação de 10% sobre o Imposto de Renda (IR) sobre lucros e dividendos remetidos a não residentes, a partir de 2026, impulsionou a retirada de dinheiro do Brasil.
A medida, que inclui uma faixa de isenção de R$ 5.000, foi aprovada após aumento da faixa de isenção do IRPF para R$ 5.000.
O saldo do IDP foi de US$ 77,7 bilhões em 2025, o maior valor anual desde 2018, quando somou US$ 78,2 bilhões. O Banco Central divulgou o resultado nesta sexta-feira, 26 de dezembro de 2025. Os dados do BC mostram o saldo da entrada e saída de capital voltado a ganhos de longo prazo, como na área de negócios, empresas, aberturas de filiais multinacionais, obras de infraestrutura, instalação de novas fábricas, compra de participação em companhias nacionais e outros.
A entrada líquida de investimento subiu 4,8% em relação a 2024.
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