Ouro e prata lideram rentabilidade em 2025, com o ouro atingindo recorde histórico de US$ 4.614 por onça e a prata elevando-se para US$ 92,34 por onça. Analistas apontam que a alta dos metais reflete a percepção de risco elevada, impulsionada por fatores como a invasão russa à Ucrânia e a desconfiança no sistema financeiro, conforme explica Danilo Moreno, analista da Investo
Em 2025, os metais no ouro e prata se destacaram como os principais impulsionadores da rentabilidade nos investimentos. Observando os preços em Nova York, o ouro alcançou um recorde histórico, subindo 71,3% em 12 meses até a quinta-feira (15), atingindo US$ 4.614 por onça (28,3 gramas).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Paralelamente, a prata experimentou um crescimento ainda mais expressivo, com um aumento de 201%, elevando seu preço para US$ 92,34 por onça. Essa valorização intensa reflete uma dinâmica de mercado influenciada por fatores estruturais, como a tensão geopolítica global e a desconfiança no sistema financeiro tradicional.
Analistas apontam que a alta dos metais não se deve apenas a especulação. A incerteza política e econômica, incluindo a invasão russa à Ucrânia, o conflito no Oriente Médio e a intervenção americana na Venezuela, aumentaram o risco percebido e a demanda por ativos considerados seguros.
A percepção de risco elevado impulsionou os investidores a buscar proteção no ouro, um ativo historicamente associado à preservação de valor em momentos de crise.
“As pessoas investem em ouro há milênios”, afirma Danilo Moreno, analista da gestora de recursos Investo. “É uma maneira clássica de os investidores preservarem valor em momentos de incerteza.” A dinâmica atual, marcada pela volatilidade e pela incerteza, reforça essa tendência.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A pressão exercida pelo presidente americano, Donald Trump, sobre Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), intensificou a desconfiança no sistema financeiro. O processo judicial contra Powell, por alegadas mentiras sobre os gastos com a reforma do prédio do FED em Washington, contribuiu para essa desconfiança.
Essa situação, somada aos riscos geopolíticos, acelerou a migração de investidores para o ouro.
“Quando o investidor desconfia de todo o resto, ele corre para o ouro”, explica Moreno.
A fuga do dólar americano, desencadeada pela desconfiança institucional, reduziu a confiança dos investidores no principal pilar do sistema financeiro global. Gustavo Trotta, sócio da Valor Corretora, destaca que, em cenários normais, os investidores buscam proteção nos títulos do Tesouro americano.
No entanto, a situação atual, com as tensões geopolíticas, alterou essa dinâmica.
“Os Estados Unidos passaram a ser o epicentro de várias tensões”, comenta Trotta. “Isso muda a dinâmica.”
Além da pressão nos mercados financeiros, a demanda por ouro e prata aumentou significativamente. Bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes, incluindo o Brasil, intensificaram suas compras de ouro, buscando proteção contra a volatilidade global.
A crescente demanda industrial por prata também contribuiu para o aumento da procura pelo metal.
“Eles perceberam que poderiam ser cortados do sistema financeiro e buscaram proteção comprando ouro”, diz Moreno.
Apesar da alta histórica, analistas avaliam que as condições que levaram à valorização do ouro e da prata permanecem válidas. No entanto, a volatilidade inerente a esses ativos financeiros significa que não há garantia de novas altas. Mesmo assim, muitas casas internacionais preveem novas valorizações, impulsionadas pela incerteza geopolítica e pela demanda por ativos seguros.
“Mesmo assim, muitas casas internacionais estão prevendo novas altas”, diz Trotta.
A gestora de recursos americana Van Eyck, que atua na Investo, estima que a onça do ouro possa chegar a US$ 5 mil ao longo deste ano, indicando uma valorização de 8,3% em relação ao recorde de preços. A perspectiva é semelhante para a prata, que, diferentemente do ouro, não é tão escassa e depende mais da oferta e da demanda industrial.
Considerando a volatilidade e o risco associados ao investimento em ouro e prata, é fundamental adotar uma estratégia de longo prazo. Esses metais não oferecem uma renda como a de ações ou títulos de renda fixa. O único caminho para obter lucro é vendendo o metal a um preço superior ao da compra.
“O ouro não oferece uma renda, como a ação de uma empresa ou um título de renda fixa”, afirma Trotta.
A grande vantagem do ouro como investimento é sua capacidade de se comportar de maneira diferente das ações e da renda fixa, especialmente em momentos de crise. Quando as bolsas caem, o ouro tende a subir de preço, protegendo o patrimônio do investidor.
Os ETFs (Exchange Traded Funds) e os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são as principais alternativas para investir em ouro e prata no Brasil. Os ETFs rastreiam os preços dos metais em bolsas internacionais, enquanto os BDRs reproduzem ETFs e outros produtos financeiros estrangeiros.
Os seguintes ETFs e BDRs são exemplos de opções disponíveis na B3:
Ao investir em ouro e prata, é importante lembrar que a compra e venda desses metais envolvem riscos. A volatilidade do mercado pode levar a perdas significativas. Portanto, é fundamental diversificar a carteira de investimentos e buscar orientação de um profissional qualificado.
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!