Investidores buscam FIDCs em 2025, com aumento de 92,5% em investidores e R$ 57,6 bilhões captados. A Anbima e especialistas como Julya Wellisch e Ângelo Belitardo destacam o papel dos FIDCs como financiadores da economia real e destino de recursos investidores, impulsionados por mudanças regulatórias da CVM
O mercado financeiro testemunhou um movimento significativo em 2025, com investidores buscando alternativas aos investimentos tradicionais. Um destaque notável foi o interesse crescente por Direitos Creditórios (FIDCs), instrumentos que envolvem recebimentos de empresas.
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Essa estratégia de investimento se tornou uma rota popular para o capital, impulsionada por uma série de fatores, incluindo a busca por retornos e a necessidade de diversificação.
Os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelaram que os FIDCs captaram um volume líquido de R$ 57,6 bilhões em 2025, com um aumento expressivo de 92,5% no número de investidores. Inicialmente, havia 172,2 mil contas, que saltaram para 331,4 mil em dezembro.
As projeções para 2026 também indicam um cenário positivo, demonstrando a confiança dos investidores nesse tipo de investimento.
A diretora da Anbima, Julya Wellisch, complementou essa visão, destacando que, após a renda fixa, FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e FIDCs apresentaram os melhores resultados. Isso reforça o papel desses produtos como financiadores da economia real e como destino de uma parcela crescente dos recursos dos investidores.
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Esse fluxo de capital ocorre em um momento de transformação no mercado financeiro.
A migração para os FIDCs foi facilitada por mudanças regulatórias, implementadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essas novas normas reduziram a assimetria de informação, que antes afastava os grandes investidores. Especialistas observam que essa clareza nas regras é fundamental para atrair investidores institucionais.
O gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, enxerga o cenário dos FIDCs como um momento de amadurecimento e consolidação institucional. Ele acredita que o fluxo financeiro atual é liderado por gigantes como fundos de pensão, seguradoras e grandes bancos, o que funciona como um “selo de confiança” para os investidores.
Belitardo detalha que os FIDCs estão substituindo títulos públicos e privados com pouca transparência, como CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), LCIs (Letra de Crédito Imobiliário), LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio) e imobiliários.
O gestor defende que os FIDCs e FICs (Fundos de Investimento em Cotas) oferecem vantagens como agilidade e a ausência do mecanismo de antecipação do “come-cotas”, que acelera o ganho de capital. A “joia da coroa” é a estrutura dos FIDCs “multicedente e multisacado”, que dilui o risco ao espalhar o crédito entre milhares de fornecedores e pagadores.
Belitardo explica que, ao antecipar recebíveis de milhares de fornecedores e pagadores, os diluem o risco de inadimplência.
O FIDC deixou de ser um “instrumento oportunístico”, usado em janelas de juros elevados, para ocupar um papel mais estrutural dentro da alocação na renda fixa e do crédito privado, funcionando como uma ponte entre a renda fixa comum e esse crédito privado sofisticado, segundo o CEO da IOX, Richard Ionescu.
O perfil de quem coloca dinheiro nos FIDCs está em transformação. Os fluxos mais consistentes se concentram em FIDCs pulverizados de alta qualidade, estruturas ligadas a supply chain, crédito corporativo middle market e operações híbridas com garantias reais ou colaterais financeiros.
A preferência se explica pela combinação de maior previsibilidade de fluxo, capacidade de diversificação do risco e estruturas de proteção mais sofisticadas. Segmentos como agro e consignado continuam relevantes, mas passaram a ser analisados com muito mais granularidade.
A classificação “FIDC Outros” virou um “guarda-chuva de inovação”, fugindo do crédito tradicional pulverizado, a exemplo dos FIDCs com lastro em contratos bussiness to bussiness (B2B), recebíveis financeiros estruturados, operações híbridas, entre outros, pondera o especialista.
Embora o capital pesado ainda venha de investidores profissionais, bancos e family offices, houve, também, entrada do varejo no número de cotistas recentemente, de acordo com o CEO da Ouro Preto Investimentos, João Baptista Peixoto Neto. “Eu acredito que o FDIC logo vai ser o 2º a ter maior número de cotistas, só não deve superar os de renda fixa.” Peixoto Neto não deixa, no entanto, de fazer um alerta em relação ao risco e retorno dos FIDCs, reforçando que a operação é nichada e tem uma política própria, tornando necessário que os investidores analisem a estrutura da operação.
FIDCs com concentração grande em devedores têm um risco grande também, com retorno desproporcional.
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