Intervenção dos EUA na Venezuela e Impacto em Investidores Estrangeiros
A recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, juntamente com a prisão do presidente Nicolás Maduro, gerou reações diversas no mercado financeiro. A ação não provocou mudanças drásticas imediatas, mas impactou a percepção de risco do país.
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A mineradora canadense Gold Reserve Inc. viu seu valor de ações disparar, refletindo uma nova conjuntura de expectativas.
A Gold Reserve, que atuava na Venezuela há décadas, incluindo o desenvolvimento de importantes depósitos de ouro e cobre, como o projeto Brisas, enfrentou sucessivas expropriações sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A empresa alega que o projeto Brisas foi ilegalmente expropriado e que suas operações subsequentes na joint venture Siembra Minera também foram interrompidas sem compensação adequada.
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A empresa afirma que os ativos da Gold Reserve estão sendo explorados ilegalmente, com tecnologia chinesa e sob a influência do grupo Cartel de los Soles, uma organização narcoterrorista. A Gold Reserve sustenta que a extração ilegal beneficia o regime de Maduro, impedindo qualquer retomada formal das operações e dificultando a recuperação de seus investimentos.
Disputas Judiciais e Expectativas de Mercado
O ICSID, braço do Banco Mundial para resolução de disputas sobre investimentos, já determinou em 2012 que a Venezuela pagasse US$ 740 milhões à Gold Reserve por encerrar a concessão de Brisas. A empresa manifestou apoio à intervenção dos Estados Unidos, considerando-a um passo para responsabilizar Maduro por crimes contra o povo venezuelano e funcionários da empresa.
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A Gold Reserve espera que a intervenção promova uma transição política, a recuperação do país e, no futuro, a possibilidade de colaborar com a reconstrução econômica da Venezuela.
Análise do Mercado e Perspectivas Futuras
Agentes de mercado esperam que a nova conjuntura política permita o cumprimento de sentenças arbitrais bilionárias envolvendo mineradoras estrangeiras que atuavam na Venezuela. A reprecificação de ativos e a compressão do risco-país atraem capital especulativo, mas a implementação de reformas concretas ainda é incerta.
O head de análise da The Link Investimentos, Artur Horta, destaca que a saída de um “governo ditatorial socialista para uma intervenção direta da maior potência capitalista” gera uma perspectiva positiva para os investidores, embora o cenário ainda esteja cercado de incertezas.
Horta adverte que o recebimento imediato em dinheiro pode ser improvável, dado que a Venezuela “é um país tecnicamente falido”, sem reservas financeiras e isolado dos sistemas internacionais de pagamentos.
Recomendações e Perspectivas de Longo Prazo
O analista avalia que é difícil que o país priorize indenizar empresas estrangeiras antes de realizar investimentos internos para “arrumar a própria casa”. Uma alternativa seria a concessão de isenções fiscais, permitindo que as mineradoras voltem a explorar o ouro sem o pagamento de impostos até que a dívida seja quitada.
O horizonte de retorno operacional também é de longo prazo, já que o setor de commodities é cíclico e demanda aportes pesados. Horta estima que o tempo mínimo para reativar maquinários, contratar pessoal e implementar projetos seja de pelo menos 18 meses, podendo estender-se de cinco a sete anos para pleno restabelecimento.
