Estudo revela que discriminação racial é amplamente percebida no Brasil, em shoppings, trabalho e espaços públicos. Pesquisa de 3.500 pessoas em 10 capitais aponta desafios socioeconômicos e estruturais
Um novo estudo, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, revela que a discriminação racial é uma percepção amplamente compartilhada pela população brasileira. A pesquisa, que ouviu 3.500 pessoas em dez capitais (Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), aponta que shoppings, estabelecimentos comerciais, locais de trabalho e espaços públicos de convivência são os ambientes onde a desigualdade racial é mais evidente.
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O levantamento, intitulado “Viver nas Cidades: Relações Raciais”, investigou a percepção da população sobre o racismo, políticas de enfrentamento e o papel da população branca na transformação do cenário. A pesquisa demonstra que, em oito de cada dez entrevistas, a discriminação racial é observada em diversos serviços, como nos shoppings e comércios, no ambiente de trabalho e em espaços públicos.
Os locais onde a discriminação racial é mais frequentemente percebida são: shoppings e estabelecimentos comerciais (57%), seguido pelo trabalho (44%), ruas e espaços públicos (31%), escolas/faculdades e universidades (29%), transporte público (16%), hospitais e postos de saúde (15%), ambiente esportivo (14%), local de moradia (9%), igreja e locais de cultos religiosos (6%), e ambiente familiar (5%).
A pesquisa também revelou que apenas 10% dos entrevistados acreditam que não existe diferença no tratamento entre pessoas brancas e negras, enquanto 12% não souberam responder à pergunta. Em relação às medidas de combate ao racismo, a população negra defende com mais firmeza políticas afirmativas e o reconhecimento de privilégios.
As ações mais citadas incluem o aumento da punição por atos de injúria racial, o debate sobre o tema em escolas, punições mais severas para policiais que cometem abusos contra pessoas negras, ações das empresas para combater o racismo, maior conscientização nas contratações e na promoção de pessoas negras, e o posicionamento de marcas e empresas em campanhas sobre o racismo.
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A análise do perfil socioeconômico da amostra também revelou disparidades significativas. Entre os brancos, 52% têm ensino superior, enquanto pretos e pardos se concentram no ensino médio (58%). A desigualdade se repete na renda, com brancos na maioria das classes A e B e nas faixas de renda mais altas, e pretos e pardos na classe D e E e nas famílias que ganham até dois salários mínimos.
A distribuição etária também reflete diferenças estruturais: a população branca é mais envelhecida, enquanto pretos e pardos são um pouco mais jovens.
O estudo destaca a necessidade de políticas públicas específicas para combater o racismo e a importância do papel de todos os cidadãos na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A pesquisa também aponta para a existência de desafios socioeconômicos e estruturais que contribuem para a desigualdade racial no Brasil.
Adicionalmente, a pesquisa identificou que negros têm maior dificuldade de acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto, além de serem mais afetados por deslizamentos de encostas e desabamentos, e inundações e alagamentos. A população branca, por sua vez, é vista como tendo um papel importante no combate ao racismo, através da informação, do reconhecimento de privilégios e da participação em ações de combate ao preconceito.
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