Reglab aponta uso crescente de influenciadores em ações do governo federal entre 2018 e 2025. Estudo revela intensificação a partir de 2023
Um levantamento realizado pelo Reglab, centro de pesquisas voltado para a mídia, tecnologia e regulação, revelou o crescente uso de influenciadores digitais em ações institucionais do governo federal entre 2018 e 2025. O estudo, que analisou publicações no Diário Oficial da União e no portal Gov.br, identificou ações diretas com influenciadores, como campanhas e programas de comunicação, conduzidas por diversos ministérios. Quase metade dessas iniciativas envolveram a contratação ou mobilização de criadores de conteúdo para divulgar políticas públicas e campanhas institucionais.
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A intensificação desse uso ocorreu principalmente a partir de 2023, com a adoção do formato por mais órgãos.
Apesar do aumento na prática, o estudo não identificou um reconhecimento formal da atividade como profissão. Segundo Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, “os influenciadores têm sido cada vez mais utilizados como parte de uma estratégia de governo, mas ainda não têm uma ‘política de Estado’ própria”.
A ausência de um código CNAE específico para criadores de conteúdo dificulta a formulação de políticas públicas e o enquadramento tributário.
Outro ponto destacado foi a falta de políticas voltadas à produção audiovisual digital, mesmo com o uso frequente desses profissionais em campanhas oficiais. O estudo também revelou diferenças na forma como os Poderes lidam com o tema. Enquanto o Executivo incorporou influenciadores em sua estratégia de comunicação, o Legislativo tende a associá-los a debates sobre desinformação e regulação.
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Apesar das dificuldades, alguns especialistas veem potencial para ampliar o uso de influenciadores de forma estratégica. Países como China e Coreia do Sul já os utilizam como instrumentos de diplomacia e soft power. Raphael Pinho, co-CEO da Spark, destaca que uma regulamentação bem estruturada é necessária para dar visibilidade e reconhecimento a essa profissão, que já movimenta uma parcela significativa da economia.
Dados do IAB Brasil e da Kantar Ibope indicam que os investimentos em social media ultrapassaram R$ 20 bilhões em 2024, representando 53% de todo o investimento em mídia digital no país. A creator economy gera empregos, movimenta cadeias produtivas e influencia decisões de consumo.
Rafaela Lotto, CEO da YouPix, ressalta que o debate regulatório ainda ignora a relevância econômica da creator economy e o fato de que os criadores concentram o ativo mais disputado da economia digital: a atenção.
Apesar do crescente uso de influenciadores digitais em ações governamentais, a falta de reconhecimento institucional e regulamentação formal representa um desafio para o setor. A creator economy, com seu impacto econômico e influência no comportamento do consumidor, merece um tratamento mais adequado, visando a formalização e o desenvolvimento de políticas públicas que a beneficiem.
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