Influenciadores digitais: debate sobre responsabilidade em finanças, saúde e direito. Novo anúncio exige qualificação para influenciadores que abordam temas sensíveis. Riscos de conselhos superficiais e informações incorretas são apontados
Um recente anúncio sobre a exigência de qualificação formal – como diplomas universitários ou certificações – para influenciadores que abordam temas como finanças, direito, saúde ou educação, reacende um debate crucial: quem tem o direito de opinar sobre assuntos que impactam a vida de tantas pessoas?
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A proliferação de conteúdo online, especialmente por influenciadores digitais, apresenta tanto oportunidades quanto riscos. Em áreas sensíveis como finanças, saúde ou direito, a disseminação de conselhos superficiais e mal informados pode gerar consequências graves.
A busca por uma responsabilidade mínima é, portanto, um passo importante, atuando como um filtro para evitar que indivíduos sem o preparo adequado ocupem posições de influência.
O problema central reside na falta de regulamentação e na ausência de critérios claros para determinar quem pode opinar sobre temas complexos. Estudos recentes demonstram que uma parcela significativa do conteúdo produzido por influenciadores sobre finanças ou saúde é elaborado por pessoas sem a qualificação técnica necessária.
Um relatório da Money Supermarket de 2024, por exemplo, revelou que 74% dos vídeos sobre “hacks financeiros” publicados por influenciadores continham conselhos “potencialmente perigosos, incorretos ou sem sentido”. No setor de saúde, um estudo apontou que influenciadores que publicam “conselhos” médicos podem estar configurando um padrão de cuidado, com potenciais danos, sem a devida qualificação ou regulamentação.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esses exemplos ilustram o risco de que a falta de preparo comprometa a qualidade das informações e a segurança do público.
Adicionalmente, o debate se aprofunda na questão da governança digital e do papel do Estado. A exigência de qualificação pode ser vista como uma resposta ao problema da desinformação, mas também levanta preocupações sobre o risco de que o Estado – ou uma agência reguladora central – se torne o único árbitro de opiniões.
A pluralidade de vozes, a crítica e a liberdade de expressão podem ser ameaçadas se apenas indivíduos “autorizados” puderem comentar publicamente sobre temas sensíveis. A transparência dos critérios de qualificação, os processos de recurso e a liberdade de expressão são elementos essenciais para garantir um ambiente de debate saudável e democrático.
Este debate é particularmente relevante no Brasil e na América Latina, onde a influência digital está em constante crescimento, abrangendo temas como finanças pessoais, saúde popular, compliance e proteção de dados. A pergunta fundamental é: quem está falando com você?
Qual é a formação do profissional que está transmitindo a informação? A crescente importância da “voz digital” exige uma reflexão sobre o papel da regulação e da educação digital. É preciso estimular a transparência, a responsabilidade e a qualificação dos influenciadores, ao mesmo tempo em que se garante a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.
A busca por um equilíbrio entre a responsabilidade técnica e a liberdade digital é crucial para evitar que a regulação se transforme em controle e para que o influenciador deixe de ser “pseudo-especialista” e passe a ser um agente de informação responsável.
Para se aprofundar no assunto, tem alguma dúvida, comentário ou quer compartilhar sua experiência nesse tema? Escreva para mim no Instagram: .
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!