Inep corrige erro no Enamed: avaliação de 351 cursos aponta 30% de desempenho insatisfatório. Associação ABMES questiona divergência nos dados divulgados
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) esclareceu que não houve erro no resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação, que analisou 351 cursos de medicina em todo o país, identificou cerca de 30% de desempenho insatisfatório, caracterizado por menos de 60% dos estudantes considerados proficientes.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O resultado é utilizado para calcular o conceito Enade das instituições, que varia de 1 a 5, sendo as notas 1 e 2 consideradas insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC).
Apesar da afirmação, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) questiona a divulgação dos dados. A associação alega divergência entre os números reportados ao sistema em dezembro do ano passado e os números divulgados agora, especialmente em relação ao total de estudantes considerados proficientes nos cursos.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, reconheceu essa divergência, explicando que o erro ocorreu na comunicação prévia com as instituições, através de um comunicado interno via sistema eMEC, que as faculdades têm acesso para validação de informações.
O dado sobre o número de estudantes que alcançaram a proficiência foi corrigido, com base no resultado da prova. Segundo Palacios, o erro não foi utilizado para calcular os indicadores de qualidade dos cursos. A divulgação restrita às instituições com uma prévia do número de alunos com proficiência, que continha dados incorretos, foi o que causou a confusão.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O presidente do Inep enfatizou que os boletins recebidos pelos participantes, os resultados publicados para os cursos e o conceito Enade produzido pelo Inep para todos os cursos de medicina avaliados não apresentam problemas.
Palacios reiterou que os indicadores publicados, que constam no site do Inep, incluem o número de participantes, o número de inscritos, o número de estudantes que alcançaram a proficiência e o cálculo do conceito Enade, e que todos estão corretos.
Ele negou que o Inep tenha publicado informações erradas que tenham sido entregues ao público. A correção se refere à comunicação inicial com as instituições, sem impacto nos cálculos dos indicadores.
Em nota, a ABMES destaca que as inconsistências foram reconhecidas pelo próprio MEC e pelo Inep. Após a aplicação das provas e a divulgação dos resultados, o Inep publicou notas técnicas (NT nº 40, 42 e 19) alterando e complementando critérios metodológicos após o encerramento do exame e do prazo de recursos (17 de dezembro).
Essa alteração dos conceitos apresentados em dezembro para as instituições de educação superior, além da divergência dos dados divulgados ontem (19) para a imprensa, gera incertezas e insegurança jurídica.
A sequência de atos administrativos posteriores à prova compromete a transparência, a segurança jurídica e a correta interpretação dos dados, conforme aponta a associação. Além de expor indevidamente instituições e estudantes a julgamentos públicos baseados em informações que o próprio admite precisar revisar, a situação gera dúvidas sobre a confiabilidade dos resultados.
O conceito Enade insatisfatório abre caminho para a aplicação, pelo MEC, das chamadas medidas cautelares, que podem incluir restrição de vagas em cursos de medicina e impedimento de novos ingressos. O Inep abrirá prazo de cinco dias, a contar da próxima segunda-feira (26), para que as instituições possam esclarecer dúvidas e apresentar suas manifestações a respeito do cálculo do resultado da avaliação dos cursos.
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!