Indústria Brasileira Enfrenta Crise na Mão de Obra Qualificada
A indústria brasileira enfrenta uma grave escassez de trabalhadores com as habilidades necessárias, conforme revelado por uma nota técnica publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, pela Confederação Nacional da Indústria. O documento completo está disponível em formato PDF (1 MB).
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A situação se agravou significativamente após o impacto da pandemia de COVID-19 e atualmente representa o quarto maior obstáculo para o setor, logo atrás da alta carga tributária, das taxas de juros elevadas e da demanda interna insuficiente.
Análise da Situação Atual
O diagnóstico aponta que a falta de profissionais capacitados limita o potencial de aumento da produtividade, prejudica a competitividade das empresas e gera custos adicionais com treinamento, especialmente em um cenário de rápida transformação tecnológica.
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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em dezembro de 2024 foi de 5,1%, a menor desde o início da série histórica em 2012.
Aumento da Preocupação ao Longo dos Anos
Apesar dessa melhora no mercado de trabalho, a informalidade ainda é um problema significativo, com 38% dos trabalhadores ocupados sem registro ou proteção social. Entre 2015 e 2020, a falta de mão de obra qualificada ocupava a última posição em um ranking de 17 problemas monitorados pela CNI, com apenas 5% das menções.
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No entanto, após a pandemia, a preocupação aumentou continuamente, atingindo 23% em 2024, com o pico registrado no segundo trimestre de 2025, quando 23,3% das empresas identificaram a escassez de mão de obra como um entrave relevante.
Impacto nas Pequenas Empresas
Para as pequenas empresas, o impacto é ainda mais acentuado. A falta de profissionais qualificados afeta 28,4% dos estabelecimentos desse porte e ocupa a segunda posição no ranking, atrás da elevada carga tributária. “Sem um trabalhador qualificado, as empresas têm dificuldade em elevar a produtividade, o que afeta a eficiência e a redução de desperdícios.
Quando tentam capacitar, enfrentam lacunas na formação educacional, que dificultam o aprendizado e desestimulam o trabalhador”, afirma o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.
Projeções para o Futuro
Segundo a CNI, a indústria tem aumentado os investimentos em capacitação, mas enfrenta desafios relacionados à baixa qualidade da educação básica e à necessidade constante de requalificação dos trabalhadores. Uma pesquisa da CNI estima que 3 em cada 5 trabalhadores do setor precisarão passar por treinamento até 2027 para atender às novas demandas produtivas.
