Indignação social após caso de violência no BBB. Participante eliminado após tentativa de beijo não consentido. TV Globo e Tadeu Schmidt reagem com seriedade
O recente episódio no Big Brother Brasil, envolvendo uma tentativa de beijo não consentido e a subsequente eliminação de um participante, provocou uma onda de indignação e mobilização social. A reação imediata, tanto por parte da TV Globo quanto da sociedade, foi considerada correta e responsável, demonstrando uma postura institucional adequada diante de uma situação grave.
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A emissora, em particular, tratou o ocorrido com seriedade, evitando reduzi-lo a um mero elemento de entretenimento, e o apresentador Tadeu Schmidt foi explícito ao comunicar aos demais participantes que o agressor seria eliminado devido à sua conduta.
Além da postura da emissora, houve apoio imediato à participante que sofreu o assédio, com a disponibilização de profissionais especializados para o acolhimento e o rompimento do contrato da emissora com o participante, classificado como decorrente de uma conduta inadequada gravíssima.
Essa resposta exemplar demonstra a necessidade de uma abordagem institucional robusta em casos de violência de gênero.
No entanto, o debate frequentemente se concentra em episódios isolados, como o do BBB, obscurecendo a realidade da violência contra mulheres no Brasil. Dados oficiais revelam um cenário alarmante: em 2024, o país registrou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, o maior número da série histórica iniciada em 2011, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
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A maioria absoluta das vítimas é do sexo feminino, e cerca de dois terços dos crimes ocorrem dentro de casa, deslocando o debate do risco eventual para a violência estrutural, cotidiana e muitas vezes invisível.
O problema não reside no programa de televisão, mas sim na falta de atenção contínua à violência contra mulheres. Casos com imagem, celebridade e viralização geram reação imediata, enquanto casos sem roteiro, que representam a imensa maioria, viram boletim, inquérito e silêncio.
Essa assimetria não é neutra, pois quando a atenção coletiva falha, a política pública falha junto, exigindo prioridade, orçamento e pressão social permanente.
Em São Paulo, o Protocolo Não se Cale oferece um exemplo relevante, levando o enfrentamento do assédio e da violência para ambientes de lazer e convivência. Com mais de 100 mil inscritos e 60 mil profissionais capacitados, o protocolo demonstra um avanço institucional importante, que deveria ser replicado em outros estados.
No entanto, sua pouca conhecida pela população em geral ressalta a importância da capilaridade e da lembrança social para que ele possa realmente proteger quando mais importa.
Deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, ministérios públicos e forças de segurança são chamados a priorizar a violência contra a mulher, garantindo visibilidade contínua e resposta estruturada. Isso pressupõe investimento em campanhas institucionais permanentes, divulgação acessível e regular de dados, painéis mensais de transparência, treinamento contínuo dos agentes envolvidos e, sobretudo, integração real entre os sistemas de denúncia, acolhimento, investigação e responsabilização.
A política pública eficaz não se constrói com episódios isolados, mas com método, repetição e presença cotidiana.
Quando um estado registra mais de 14 mil estupros em um único ano, isso não é estatística. É emergência. A indignação gerada pelo episódio do BBB é válida, mas a verdadeira mudança reside na conversão dessa indignação em política pública, informação contínua e prevenção em escala.
A violência contra a mulher não acontece de vez em quando. Ela acontece o tempo todo. O que acontece de vez em quando é a nossa atenção.
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