Dois casos confirmados de Nipah na Índia geram alerta devido à doença de alta letalidade. Enfermeiros de 25 anos testaram positivo e foram isolados em Kerala, em julho de 2025
Dois casos confirmados de infecção pelo vírus Nipah na Índia, uma doença de alta letalidade sem vacina ou tratamento antiviral específico, geraram preocupação. A situação ocorre em um contexto recente de pandemia, o que intensifica a atenção da população.
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Na última terça-feira, o governo indiano esclareceu que a situação está sob controle, após confirmar que as quase 200 pessoas monitoradas por contato direto testaram negativo, apesar de “números incorretos” que circulavam. Os dois casos confirmados são de enfermeiros — um homem e uma mulher, ambos com 25 anos — de um hospital particular na localidade de Barasat, a cerca de 20 quilômetros ao norte de Calcutá.
Eles apresentaram sintomas na primeira semana de dezembro e foram isolados no início de janeiro.
Os primeiros sinais da doença surgem cerca de 14 dias após a infecção. Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor no corpo e mal-estar, além de vômitos. Os primeiros sintomas são pouco específicos, o que pode dificultar o diagnóstico.
Em casos graves, a doença evolui rapidamente, afetando o sistema nervoso central e causando encefalite — uma inflamação extremamente grave.
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Essa encefalite pode evoluir de maneira dramática, devastadora e fatal em pouco tempo, cerca de 24 a 48 horas. Por isso, a doença tem uma letalidade altíssima. Os sobreviventes podem desenvolver sequelas neurológicas, com alterações cognitivas. A encefalite pode ocorrer também de maneira mais tardia.
O paciente pode apresentar encefalite de repetição.
A taxa de mortalidade do vírus Nipah varia entre 40% e 75%, dependendo do contexto, do tipo de paciente e do suporte médico disponível. A infectologista Luana Araújo ressalta que o curso da doença é trágico.
A doença é considerada uma zoonose, ou seja, é transmitida de animais para seres humanos. A transmissão não é sustentada porque não ocorre com facilidade. Diferentemente das doenças respiratórias, o Nipah requer contato próximo, com troca de secreções e fluidos corporais.
Familiares, cuidadores e profissionais de saúde são os que estão mais em risco ao entrarem em contato com pacientes infectados. A transmissão também pode ocorrer por alimentos contaminados, principalmente por secreções de morcegos, que são implicados na disseminação do vírus no Sudeste Asiático.
Frutas parcialmente comidas por esses morcegos, ou que tiveram contato com urina ou fezes desses animais e forem ingeridas sem a devida higienização, podem ser fonte de contaminação. O mesmo vale para o contato direto — sem proteção — com carcaças desses morcegos.
Não há comparação entre o Nipah e o coronavírus. Os dois têm potenciais de transmissão muito diferentes, com desfechos e estratégias de combate também distintas.
A primeira epidemia de Nipah deixou 100 mortos na Malásia, e um milhão de porcos foram sacrificados para conter o vírus. A doença também se espalhou em Singapura, com 11 casos e um óbito entre trabalhadores de matadouros que tiveram contato com porcos importados da Malásia.
Desde então, a doença foi detectada principalmente em Bangladesh e na Índia, que registraram suas primeiras epidemias em 2001. Bangladesh foi o país mais afetado nos últimos anos, com mais de cem óbitos desde então. Duas epidemias na Índia causaram mais de 50 mortes antes de serem controladas.
Desde 2018, os casos têm se concentrado no estado meridional de Kerala, onde o surto mais recente, em julho de 2025, causou três infecções e duas mortes.
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