IBJR questiona estudo da CNC sobre “bets” e faturamento do varejo em 2024

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) formalizou, na segunda-feira (27 de abril de 2026), um pedido de esclarecimentos à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A solicitação surge em relação à metodologia de um estudo que investiga os impactos das apostas esportivas, conhecidas como “bets”, no mercado brasileiro.
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O documento, que levanta questões sobre a metodologia, foi citado na justificativa de um estudo que propõe a proibição das apostas de quota fixa no país.
Principais Argumentos e Estimativas do Estudo Original
O IBJR ressaltou que as conclusões do estudo em questão possuem potencial para influenciar o debate público e o desenvolvimento de iniciativas legislativas. O estudo apresentava estimativas consideráveis, como uma queda de R$ 103 bilhões no faturamento do varejo brasileiro em 2024 e um volume de R$ 240 bilhões em apostas realizadas pelos brasileiros entre 2022 e 2024.
Solicitação de Transparência e Dados
Em seu ofício, o IBJR solicitou acesso à base de dados utilizada na análise e à metodologia empregada. A instituição busca detalhes sobre os modelos estatísticos aplicados, as variáveis consideradas, as hipóteses adotadas e os critérios de causalidade utilizados na pesquisa.
O prazo estabelecido para a resposta é de cinco dias úteis, com o objetivo de ampliar a transparência das informações que alimentam o debate sobre a regulação do setor de jogos.
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Contrapontos e Referências Adicionais
O IBJR apresentou argumentos contrários às conclusões do estudo da CNC, apontando que algumas estimativas podem não estar alinhadas com outros indicadores econômicos. O instituto citou dados do Banco Central e da própria CNC, que, na interpretação do IBJR, indicariam estabilidade no percentual de famílias endividadas entre 2022 e 2024.
Além disso, o IBJR mencionou um estudo da LCA Consultoria Econômica, encomendado pela própria entidade, que sugere uma participação reduzida dos gastos com apostas no consumo das famílias e no Produto Interno Bruto (PIB).
Análise da CNC e seus Resultados
O estudo da CNC, por sua vez, utiliza dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) e aplica a metodologia de diferenças em diferenças (DiD) para analisar o período de 2021 a 2026. De acordo com o estudo, a expansão das bets a partir de 2023 está associada ao aumento de indicadores de inadimplência mais graves, como o percentual de famílias que não possuem condições de pagar suas dívidas, além do crescimento no tempo médio de atraso.
A análise também identificou diferenças entre grupos, com efeitos mais intensos em determinadas faixas de renda, idade e perfil demográfico.
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