Vídeo com venezuelanos expressando alegria viraliza e exemplifica nova realidade gerada por IA. Desinformação se torna infraestrutura com 52% do conteúdo digital sintético em 2025. Risco amplificado no Brasil: 185 milhões de usuários online. Aumento de fraudes com IA generativa: US$ 40 bilhões em 2027. Proliferação de deepfakes: 8 milhões em 2025. Risco de manipulação e volatilidade na informação
Um vídeo que mostrava venezuelanos expressando alegria com a captura de Nicolás Maduro viralizou, alcançando milhões de visualizações. O conteúdo, totalmente gerado por inteligência artificial, exemplifica uma nova realidade. Apesar de suas imperfeições, o que o mercado tem apelidado de “IA Slop” (chorume de IA) cumpriu seu propósito.
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A desinformação deixou de ser uma campanha isolada e se tornou uma infraestrutura permanente. Em novembro de 2024, o volume de conteúdo gerado por IA superou a produção humana. Em maio de 2025, dados da consultoria Five Percent AI confirmaram que 52% de todo o conteúdo digital já era sintético.
Com um custo de produção quase zero e distribuição infinita, a precisão perde importância diante do alcance. O Brasil enfrenta um risco amplificado pela escala, com 185 milhões de usuários de internet (86,9% da população) ao final de 2025, projetando-se para 90,4% em 2026, segundo o IBGE.
O perigo reside na “resiliência desigual”: dados do CETIC.br (TIC Domicílios) indicam que o acesso via TV e celular supera o computador. Esse público consome informação de forma rápida e emocional, com baixa capacidade de verificar fontes antes de compartilhar.
Para líderes de grandes empresas, o “IA Slop” representa um risco de balanço. Relatórios da TIVIT e do setor financeiro preveem que perdas por fraudes com IA generativa saltarão de US$ 12,3 bilhões em 2023 para US$ 40 bilhões em 2027. Um caso recente, envolvendo uma transferência de US$ 25 milhões após uma videochamada com executivos falsos, ilustra o impacto de identidades sintéticas.
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A proliferação de ataques é agressiva: o volume de deepfakes saltou de 500 mil em 2023 para 8 milhões em 2025, com um crescimento anual de 900%. A confiabilidade das ferramentas de defesa ainda é baixa.
O “IA Slop” funciona porque ataca o viés, não a razão. Segundo o Instituto IDEA, 46% das pessoas acreditam em narrativas falsas se elas reforçam suas visões de mundo. A pergunta deixou de ser “isso é verdade?” para ser “isso serve ao meu lado?”.
O Fórum Econômico Mundial (WEF) classificou a desinformação como o maior risco global de 2026. Em um ano eleitoral, “softfakes” (memes e áudios emocionais) erodem a confiança e geram volatilidade instantânea para marcas e ativos.
No tempo da IA, 24 horas é uma eternidade. A resposta lenta é, por definição, a resposta errada. Em 2026, integridade de informação e velocidade da resposta institucional serão vantagens competitivas.
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