IA revoluciona autoimagem de pessoas cegas! 🚀 Descrições detalhadas, como “espelho digital”, permitem autoavaliação sem mediação. Lucy Edwards e Helena Lewis-Smith alertam sobre riscos de vieses e “alucinações” da IA na construção da autoimagem. Saiba mais!
Nos últimos anos, avanços na inteligência artificial (IA) têm transformado a maneira como pessoas cegas interagem com o mundo, especialmente no que diz respeito à autoimagem. Inicialmente, tecnologias como o aplicativo Be My Eyes conectavam usuários com voluntários que descreviam o que a câmera capturava.
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Em 2017, a Microsoft introduziu a IA para descrever textos, objetos e cenas através de um celular, com o aplicativo Seeing AI. A partir de 2023, a integração de modelos multimodais, como o GPT-4, elevou a qualidade das descrições, tornando-as mais detalhadas e contextualizadas, quase como um “espelho digital“.
A criadora de conteúdo Lucy Edwards explica: “Durante toda a nossa vida, pessoas cegas tiveram de lidar com a ideia de que ver a nós mesmos é impossível, de que somos bonitas por dentro, e de que a primeira coisa que julgamos em alguém é a voz – mas sabemos que nunca poderemos vê-los”.
A IA, nesse contexto, permite o acesso direto à própria aparência, um avanço significativo.
A IA funciona como um espelho, traduzindo informações visuais em linguagem. Ela descreve traços faciais, expressões e o contexto da imagem. Isso possibilita a autoavaliação sem a mediação humana, permitindo que pessoas cegas cuidem da própria apresentação de forma autônoma.
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Com a popularização de modelos avançados de visão computacional, aplicativos como o Be My Eyes e o Envision permitem que pessoas cegas enviem fotos ou usem a câmera do celular para receber informações detalhadas sobre textura da pele, formato facial e combinações de roupas, além de orientações sobre maquiagem ou estilo.
Essas ferramentas permitem que os usuários construam sua autoimagem, não apenas “o que estou vestindo”, mas também “como eu pareço para os outros”. Além de ler textos ou identificar objetos, a tecnologia assistiva assume um papel identitário, não apenas utilitário.
Embora promissoras, as IAs podem gerar descrições incorretas ou “alucinações” perturbadoras. Se, para pessoas cegas, as novas ferramentas representam um primeiro acesso dissociado de preconceitos pessoais ou comparação direta, essas ferramentas levantam preocupações sobre vieses e padrões de beleza embutidos nos algoritmos de IA, treinados a partir de normas estéticas dominantes.
Mesmo sem intenção, as IAs podem gerar comparações injustas ou expectativas irreais, que potencialmente influenciam negativamente a autoimagem de usuários que não têm como verificar visualmente as informações recebidas.
Pesquisas apontam também o risco de imprecisão ou “alucinações” da IA, quando o sistema produz descrições incorretas ou deformadas, levando a frustrações ou confusões sobre a própria aparência. A pesquisadora em psicologia da saúde Helena Lewis-Smith alerta: “o que é assustador agora é que a IA não só permite que pessoas cegas façam isso comparando-se com descrições de fotos de outros seres humanos, mas também com o que a IA poderia considerar a versão perfeita delas”.
Lucy Edwards, por outro lado, tem uma avaliação mais otimista: “quanto mais robôs descreverem fotos para nós, nos guiarem, ajudarem nas compras, mais felizes seremos. São coisas que achávamos que tínhamos perdido e agora a tecnologia nos permite ter”, conclui ela.
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