IA generativa se torna “porto seguro” para jovens, aponta estudo no BMJ (dez/2025). Adolescentes usam IA para interação social, com 33% relatar satisfação. Brasil lidera uso (51,6%) e alerta para dependência emocional
As ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, cada vez mais presentes em nosso cotidiano, estão sendo utilizadas para uma variedade de propósitos, desde a agilização de leituras acadêmicas até a criação de ilustrações. No entanto, o avanço dessa tecnologia também trouxe uma nova configuração para um problema de saúde pública global: a solidão.
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Essa questão é particularmente preocupante quando se trata de adolescentes. Um estudo publicado no periódico BMJ em dezembro de 2025 aponta que a IA tem se tornado um “porto seguro” emocional para muitos usuários, especialmente os jovens. Segundo a pesquisa, um terço dos adolescentes utiliza IA para interação social, e um em cada dez relatou que as conversas com o chatbot são mais satisfatórias do que as com humanos.
Existe a preocupação de que os jovens desenvolvam uma dependência emocional e passem a ver a IA como um “amigo”. Apesar de parecerem conscientes, esses sistemas carecem de capacidade real de empatia, cuidado e sintonia relacional humana. Contudo, a IA pode ser positiva se funcionar como um caminho para o cuidado real.
Ela tem o potencial de identificar sinais de que o indivíduo está em sofrimento psíquico e de ser uma ponte, como até o próprio artigo traz, para um cuidado efetivo, um convite para a pessoa repensar o tipo de relação com a máquina e com os seres humanos em volta dela, e buscar um cuidado de saúde mental.
O Brasil se destaca como um dos países que mais utiliza IA generativa (51,6%), atrás apenas da Índia (66,4%). Uma pesquisa realizada pela Cisco, líder mundial em redes de segurança, em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ouviu mais de 14 mil pessoas de 14 países, sendo mais de mil brasileiros.
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Essa realidade pode ser ainda mais preocupante diante da falta de acesso a serviços de saúde mental.
A transição do uso recreativo das inteligências artificiais para um padrão problemático pode ser marcada por sintomas semelhantes aos de outras dependências químicas ou comportamentais. Confira alguns dos principais sinais de alerta: Abstinência digital: sentir ansiedade ao ficar longe de conexões de internet ou do chatbot; Abandono da rotina: deixar de praticar atividades físicas, trabalhar ou estudar para manter a interação virtual; Perda de funcionalidade social: dificuldade em lidar com as frustrações do dia a dia e com as complexidades de um relacionamento humano real, em que há divergências e necessidade de ceder; Dificuldade para dormir ou “trocar o dia pela noite”; Sentimentos como tristeza profunda ou isolamento total.
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