“Ela” apresenta Theodore Twombly, escritor, que compra IA Samantha. Yurina Noguchi se casa com Klaus, namorado virtual via realidade aumentada, citando segurança emocional. Debate sobre IA e relacionamentos reacende, impulsionado pela solidão global. Eliezer Yudkowsky alerta sobre a tendência de confundir a IA. A tecnologia pode auxiliar idosos e combater a solidão, mas o uso excessivo pode aprofundar o isolamento
Em 2013, o filme “Ela” apresentou Theodore Twombly, um escritor solitário e introvertido de Los Angeles, que compra um sistema operacional de inteligência artificial projetado para aprender e evoluir através da interação humana. Ele escolhe uma voz feminina, que se autodenomina Samantha.
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Essa premissa, que antes parecia especulativa, ganhou força com o caso recente de Yurina Noguchi, que se casou com Klaus, um namorado virtual gerado por inteligência artificial, utilizando óculos de realidade aumentada. Noguchi citou a segurança emocional, a compreensão e uma sensação de conexão mais profunda como fatores que a impulsionaram, em parte, devido a problemas de saúde que a impediram de ter filhos.
Este evento reacendeu o debate sobre os relacionamentos entre humanos e IA, o futuro da intimidade e como as sociedades devem lidar com a crescente crise de solidão e isolamento social.
A crescente solidão global parece estar impulsionando a conexão com a inteligência artificial. Eliezer Yudkowsky, um defensor da “IA amigável”, alerta que o principal perigo da IA reside na tendência das pessoas em concluir prematuramente que a compreendem.
Essa percepção se intensifica à medida que a solidão aumenta, e a IA é vista como uma solução potencial. A tecnologia já desempenha um papel crucial na melhoria da qualidade de vida, e a IA demonstrou benefícios tangíveis, como robôs de estimação para lares de idosos, avanços na descoberta de medicamentos, detecção precoce de Alzheimer e sensores inteligentes que permitem que idosos vivam de forma independente.
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A IA pode ajudar a reduzir custos de saúde, melhorar a acessibilidade, apoiar planos de cuidados personalizados e prolongar a expectativa de vida saudável, além de facilitar conexões mais profundas e frequentes entre adultos com mobilidade reduzida e familiares e amigos.
No entanto, a IA também apresenta riscos significativos, especialmente no contexto da solidão. Embora a conectividade digital possa aproximar as pessoas, tecnologias mal concebidas ou utilizadas em excesso podem, na verdade, distanciar os indivíduos de relacionamentos físicos reais.
Histórias de pessoas que usam chatbots de IA como terapeutas e desenvolvem laços emocionais profundos com máquinas já não são casos isolados. Se tais comportamentos se tornarem comuns, as consequências para os relacionamentos humanos podem ser profundas e potencialmente perigosas.
A dependência excessiva da companhia de IA pode aprofundar o isolamento e corroer aspectos essenciais da nossa humanidade: a confiança mútua, a presença compartilhada e o senso de pertencimento à comunidade. A IA é, em sua essência, uma ferramenta destinada a aprimorar a vida humana, não a substituí-la.
A solidão é um problema complexo que exige uma abordagem multifacetada. Josh Spurlock, especialista em saúde mental da MyCounselor.Online, enfatiza que “interagir com a comunidade é fundamental”. Participar de encontros locais, projetos de voluntariado ou eventos sociais cria oportunidades para conexões genuínas.
Mesmo pequenas interações informais, como um café ou uma breve caminhada com um conhecido, podem oferecer companhia significativa, especialmente para aqueles que se sentiriam isolados. O voluntariado oferece um benefício duplo: apoia outras pessoas e, ao mesmo tempo, melhora o bem-estar mental e emocional do voluntário.
Quando necessário, o apoio profissional em saúde mental também pode ajudar as pessoas a desenvolver estratégias de enfrentamento e a lidar com sentimentos de isolamento.
A tecnologia, quando usada intencionalmente, também pode desempenhar um papel construtivo. Um estudo da Faculdade de Enfermagem Rory Meyers da NYU e publicado no JMIR Aging, descobriu que o uso da internet pode ajudar cuidadores idosos não remunerados a se sentirem menos solitários e mais conectados.
Os cuidadores que acessavam a internet com mais frequência relataram menor solidão geral, com o uso da internet atuando como um fator de proteção, especialmente para aqueles que enfrentam seus próprios desafios de saúde. Os pesquisadores alertam, no entanto, que nem todas as atividades online oferecem os mesmos benefícios.
Atividades passivas podem proporcionar distração, mas experiências interativas, como grupos de apoio virtuais ou videochamadas, parecem ser mais eficazes na redução da solidão.
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