Hylaea, startup brasileira, descobre planta amazônica com potencial para tratar dependência e doenças neurodegenerativas como Parkinson. Projeto aprovado pelo Sebrae e Inova Amazônia
Uma planta que antes era vista como praga na Amazônia pode ser a chave para tratar a dependência química, traumas cerebrais e doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson. A startup Hylaea é responsável pelo primeiro estudo que encontrou a matéria-prima para a produção da ibogaína no Brasil.
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Origem e Desenvolvimento da Startup
Em 2017, enquanto coordenava a graduação em Farmácia em uma universidade no Acre, um colega sugeriu que Ricardo Marques estudasse a ibogaína, devido ao seu doutorado em química de produtos naturais. A pesquisa, que se estendeu até 2021, culminou na inscrição de um estudo no edital do Sebrae, o Inova Amazônia, que foi aprovado.
Quinze dias depois, o Sebrae anunciou a Rio Innovation Week e, dos 50 negócios participantes do Acre, o projeto de Marques foi selecionado.
Após três meses de trabalho intenso, extraindo o primeiro lote da matéria-prima em janeiro de 2022, Marques pediu demissão da universidade para se dedicar integralmente ao projeto. A startup, fundada com recursos próprios, enfrentou desafios significativos, como a alta regulamentação e os custos associados à biotecnologia.
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A Descoberta Amazônica
Ricardo Marques e sua equipe descobriram quatro espécies amazônicas capazes de fornecer a voacangina, um ativo que gera a ibogaína quando submetida a quebra de moléculas, criando o alucinógeno usado nos tratamentos. A coleta da matéria-prima é feita através da poda das árvores, preservando a floresta.
Escalando a Produção
Em dezembro de 2025, a Hylaea realizou sua primeira exportação de voacangina para uma companhia americana, com um volume pequeno, mas que representou um marco importante. A startup contratou uma indústria no Paraná, com maquinário adequado, para acelerar a escala da extração da voacangina.
Em fevereiro de 2025, Marques mudou-se para o Paraná para supervisionar o processo.
Paralelamente, uma parceria com a Embrapa e a Universidade de São Paulo (USP), iniciada em setembro de 2024, visa otimizar os parâmetros da síntese em reatores para produção em escala industrial. A expectativa é que, com a nova instalação, a produção de ibogaína no Brasil se torne realidade.
Perspectivas Futuras
A Hylaea planeja comercializar o cloridrato de ibogaína, formato concentrado do material, que possui um valor agregado 10 vezes maior que a voacangina, custando entre US$ 1 mil e US$ 1,5 mil por grama. Apesar dos desafios regulatórios, a startup conta com o interesse de grandes indústrias internacionais.
A meta é consolidar a Hylaea como referência global na produção de voacangina, oferecendo uma alternativa à África com escala, qualidade e integridade do material.
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