O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu um passo importante na discussão sobre o futuro do trabalho no Brasil. Nesta segunda-feira (9), ele encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma proposta de emenda à Constituição que visa reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala de trabalho 6×1.
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A iniciativa surge como uma resposta a uma demanda antiga da classe trabalhadora. Motta ressaltou que a questão impacta diretamente a economia, justificando a necessidade de um debate amplo, envolvendo todos os setores, para construir uma proposta justa e equilibrada.
“Decidi colocar em pauta a discussão sobre a PEC 6×1, uma demanda antiga da classe trabalhadora que almeja a redução da jornada de trabalho, nós sabemos que essa é uma matéria que impacta diretamente a nossa economia, por isso a necessidade de ouvir todos os setores na busca da elaboração de uma proposta o mais justa possível”, disse Motta. “Eu não tenho dúvidas que a escala 6×1, vindo a ser discutida e diminuída essa jornada de trabalho nós vamos dar um passo.
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Um laço firme na dignidade do trabalhador, promovendo mais qualidade de vida e respeito a essas pessoas que movem o nosso país”, completou o presidente da Câmara.
Desafios e Perspectivas
Após a análise da CCJ, a proposta seguirá para uma Comissão Especial e, posteriormente, para o Plenário da Câmara. A discussão sobre o fim da escala 6×1 se tornou uma prioridade para o governo Lula em 2026, um ano eleitoral, o que aumenta a complexidade da questão.
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Rejeição e Debate
Apesar do apelo popular, há ceticismo na base do governo quanto ao avanço da matéria em 2026. No entanto, outros membros da base defendem que a pressão popular forçará o Congresso a discutir o assunto, abrindo a possibilidade de uma votação ainda neste ano.
A pauta, ainda que extremamente popular, esbarra em questões econômicas: um possível fim da escala 6×1 poderia resultar no fechamento de postos de trabalho e no desaquecimento do comércio, alertaram especialistas da área econômica ligados ao governo.
Contexto Eleitoral e Rejeição
A alta empregabilidade e o poder de compra são bandeiras do governo para exaltar a atual gestão. O assunto também é rejeitado pelo empresariado, que ainda não entrou em campo para argumentar contra a mudança por considerar que o debate é incipiente e causaria desgaste.
A insistência no assunto faz parte de uma estratégia para ganhar mais popularidade e diminuir a alta rejeição que impede Lula de abrir vantagem nas pesquisas.
Em ano eleitoral e com pouco tempo para debate, o petista poderia ter o melhor de dois mundos: se colocar como principal defensor de uma pauta popular, mas não enfrentar as dificuldades para a aprovação da matéria até o fim das eleições.
Com isso, a base do governo espera uma diminuição da rejeição e um caminho mais tranquilo para a reeleição.
Desafios na Pesquisa Eleitoral
A última pesquisa Atlas/Intel, divulgada nesta quarta-feira (21), exemplifica bem o cenário que preocupa o PT: nas disputas de 1º turno, o atual presidente marca de 48% a 49% das intenções de voto em todos os cenários. Nas pesquisas de 2º turno, Lula estaciona nos 49%, ainda à frente de todos os potenciais adversários, mas escancarando a dificuldade que o petista tem de convencer eleitores de outros candidatos ou indecisos.
Eleitores foram questionados sobre quais candidatos eles “não votariam de jeito nenhum”. Lula foi o segundo mais rejeitado, com 49,7%. Ele só ficou atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, apesar de inelegível, foi rejeitado por 50% dos entrevistados.
