Hipocloridria e Hiperacidez: Desequilíbrios que Afetam a Saúde Digestiva

Hipocloridria e hiperacidez: desequilíbrios no ácido estomacal podem causar digestão lenta, azia e anemia. Diagnóstico precoce e tratamento individualizado são cruciais

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(Imagem de reprodução da internet).

Desequilíbrios na Produção de Ácido Estomacal: Hipocloridria e Hiperacidez

O ácido clorídrico, produzido naturalmente pelo estômago, desempenha um papel crucial na digestão, absorção de nutrientes e proteção contra infecções. No entanto, desequilíbrios nessa produção – a hipocloridria (produção insuficiente de ácido) e a hiperacidez (produção excessiva) – podem levar a uma série de problemas de saúde. A hipocloridria, caracterizada pela falta de ácido, pode ser causada por condições como gastrite atrófica, infecção por Helicobacter pylori, uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez e o envelhecimento. Por outro lado, a hiperacidez, associada a excesso de ácido, pode surgir em doenças como refluxo grave, úlceras pépticas e, raramente, na síndrome de Zollinger-Ellison.

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Causas e Sintomas das Condições

A hipocloridria pode manifestar-se com sintomas como digestão lenta, sensação de estufamento, gases, azia paradoxal (refluxo de alimentos mal digeridos), diarreia ou prisão de ventre. A deficiência prolongada de ácido pode levar a anemia por deficiência de ferro, falta de vitamina B12, osteoporose e, em casos mais graves, alterações neurológicas, como formigamentos e perda de memória.

A condição também compromete a capacidade do estômago de eliminar microrganismos, facilitando o desenvolvimento de supercrescimento bacteriano no intestino delgado e aumentando o risco de infecções intestinais. Já a hiperacidez se apresenta com queimação intensa, dor na região do estômago, náuseas, vômitos e, em casos complicados, sangramentos ou perfurações.

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A síndrome de Zollinger-Ellison, por exemplo, pode levar ao excesso de ácido no intestino, prejudicando a ação de enzimas digestivas e causando diarreia crônica.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico das condições envolve a avaliação da acidez do estômago por meio de pHmetria de 24 horas ou testes que avaliam a quantidade de ácido produzido em repouso e após estímulo. Na hipocloridria por gastrite atrófica, exames de sangue medem o pepsinogênio I, a relação pepsinogênio I/II e a gastrina sérica. Alterações nesses marcadores sugerem destruição das células produtoras de ácido. Na hiperacidez por gastrinoma, a gastrina sérica em jejum está alta e o pH do estômago é muito baixo. Nesses casos, pode ser feito o teste da secretina, que ajuda a confirmar o diagnóstico, além de exames de imagem para localizar o tumor. O tratamento da hipocloridria envolve tratar a causa, erradicar H. pylori, suspender medicamentos desnecessários que reduzem a acidez e acompanhar casos de gastrite autoimune. Frequentemente, é preciso repor ferro, vitamina B12 e cálcio. O tratamento da hiperacidez se baseia no uso de IBPs e bloqueadores H2, que reduzem a produção de ácido e permitem cicatrização da mucosa. Nos casos de Zollinger-Ellison, muitas vezes são necessárias doses altas desses medicamentos, além de cirurgia para retirada do tumor quando possível.

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Conclusão: Importância do Equilíbrio na Produção de Ácido

Hipocloridria e hiperacidez representam extremos opostos na produção de ácido pelo estômago. Embora pareçam opostas, ambas têm consequências sérias. O reconhecimento precoce, os exames adequados e o tratamento individualizado são fundamentais para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.

Dr. Antonio Couceiro Lopes – CRM/SP 100.656 | RQE 26013 Cirurgião do Aparelho Digestivo Membro da Brazil Health

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