Análise Detalhada do Caso High Tower e da Resolução 4.656/2018
Este caso, envolvendo o FIDC High Tower e a resolução CMN nº 4.656/2018, expõe falhas significativas no sistema de supervisão do mercado financeiro brasileiro, destacando a necessidade de reformas urgentes. A seguir, uma análise detalhada dos pontos-chave:
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1. A Ciranda de Fundos e a Rentabilidade Exagerada:
2. A Resolução 4.656/2018 e suas Falhas:
3. O Papel do Banco Central e da CVM:
4. Implicações e Recomendações:
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Em suma, o caso High Tower é um alerta para a necessidade de uma supervisão mais rigorosa e eficaz no mercado financeiro brasileiro. A falta de mecanismos de verificação, a falta de coordenação entre os órgãos reguladores e a supervisão superficial contribuíram para a manipulação da rentabilidade e causaram prejuízos significativos aos investidores.
- A Estrutura: O FIDC High Tower, administrado pela Reag, utilizou uma estrutura complexa de cessão de créditos para gerar rentabilidade. A Reag cedia os créditos a diversos fundos de crédito estruturado (FIDCs), que por sua vez, também cediam os créditos a outros fundos. Essa “ciranda” permitiu que o High Tower apresentasse rentabilidades extremamente altas, impensáveis em um cenário de mercado normal.
- A Falta de Diligência: O Banco Central e a CVM não realizaram uma análise profunda e sistemática dessa estrutura. A complexidade da ciranda e a falta de transparência na origem dos créditos permitiram que a rentabilidade inflacionada se perpetuasse sem que fossem identificadas as irregularidades.
- Objetivo da Resolução: A resolução CMN nº 4.656/2018 visava regulamentar os fundos de crédito estruturado, buscando maior transparência e controle sobre a origem dos créditos. No entanto, a resolução não foi suficiente para impedir a manipulação da rentabilidade.
- Falta de Mecanismos de Verificação: A resolução estabeleceu que a cessão de créditos só poderia ocorrer por meio de plataformas eletrônicas e com registro em entidades autorizadas. No entanto, não criou mecanismos eficazes para verificar a real existência e qualidade dos créditos cedidos.
- Modelo de Supervisão Desatualizado: A resolução CMN nº 4.656/2018 manteve um modelo de supervisão baseado em indicadores isolados, sem uma análise sistêmica da estrutura de crédito.
- Falta de Coordenação: O Banco Central e a CVM não coordenaram adequadamente suas atividades de supervisão. A falta de comunicação e colaboração entre as duas instituições contribuiu para a falta de atenção à ciranda de fundos.
- Supervisão Superficial: Ambos os órgãos adotaram uma abordagem de supervisão superficial, focada em indicadores isolados, sem uma análise sistêmica da estrutura de crédito.
- Responsabilidade Compartilhada: O caso High Tower demonstra a necessidade de uma maior responsabilidade compartilhada entre o Banco Central e a CVM, bem como a necessidade de uma supervisão mais proativa e sistemática.
- Reforma da Supervisão: O caso High Tower exige uma reforma urgente do sistema de supervisão do mercado financeiro brasileiro. É necessário criar mecanismos de supervisão mais robustos, que permitam identificar e prevenir fraudes e manipulações de rentabilidade.
- Análise Sistêmica: A supervisão deve ser baseada em uma análise sistêmica da estrutura de crédito, que considere as interdependências entre os diferentes fundos e as origens dos créditos.
- Cooperação entre Órgãos: É fundamental fortalecer a cooperação entre o Banco Central e a CVM, bem como entre os diferentes órgãos reguladores do mercado financeiro.
- Transparência e Divulgação: É necessário aumentar a transparência e a divulgação de informações sobre a origem dos créditos e a estrutura de gestão dos fundos de crédito estruturado.
- Responsabilização: É fundamental responsabilizar os gestores de fundos e os administradores fiduciários que cometeram irregularidades.