Desclassificação de Skeleton e Protesto Político em Milão
A desclassificação do atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych da competição de skeleton, ocorrida nesta quinta-feira (12), devido ao seu capacete que retratava atletas mortos em decorrência da invasão russa, gerou grande impacto no meio esportivo, especialmente em Milão e Cortina.
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A situação se agravou quando, minutos antes do início da competição, a credencial do atleta foi inicialmente cassada.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) revisou a decisão, permitindo que Heraskevych permanecesse nos Jogos após a presidente do COI, Nicole Coventry, interceder junto à Comissão Disciplinar, demonstrando grande emoção e lamentando não ter conseguido mediar uma solução.
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Coventry se encontrou com o atleta, expressando a importância da mensagem que ele transmitia: “Achei muito importante vir aqui e falar com ele pessoalmente. Ninguém, especialmente eu, discorda da mensagem; é uma mensagem poderosa, de lembrança, de memória”.
Reunião e Possíveis Soluções
O COI sugeriu alternativas de compromisso, incluindo a utilização de uma braçadeira preta ou a exibição do capacete antes e após a competição. No entanto, a solução não foi viável. Coventry lamentou: “Infelizmente, não conseguimos encontrar essa solução.
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Eu realmente queria vê-lo correr. Foi uma manhã emocionante”.
Contexto Histórico e Reações
O caso se assemelha a um precedente histórico, como o dos velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos, que ergueram os punhos com luvas pretas nos Jogos Olímpicos de 1968, em protesto contra a injustiça racial nos Estados Unidos, o que resultou em sua expulsão.
O porta-voz do COI, Mark Adams, alertou que permitir uma única manifestação poderia levar ao caos.
Protesto da Ucrânia e Reações Internacionais
O Comitê Olímpico da Ucrânia anunciou planos para um protesto, mas negou a intenção de boicotar os Jogos. O presidente Volodymyr Zelenskiy concedeu a Heraskevych uma condecoração estatal, mencionando as 660 mortes de atletas e treinadores ucranianos na guerra.
O ministro da Juventude e do Esporte, Matvii Bidnyi, declarou: “Ele não usava capacete com líderes políticos ou partidos. Ele usava capacete com nossos heróis nacionais, com os atletas que foram mortos pela Rússia. Estamos aqui apenas porque nossos defensores morrem todos os dias.
Por que não podemos homenageá-los?”
Reações de Outros Atletas
O atleta americano de skeleton, Daniel Barefoot, elogiou a coragem de Heraskevych: “Antes de mais nada, ele se mantém firme em suas convicções. Ele está dizendo a verdade e não vai recuar no dia da corrida. Mas eu também estava pensando que talvez a IBSF, ou quem quer que esteja no poder, recuasse e o deixasse em paz”.
Ações do Técnico Letão
O técnico letão Ivo Steinbergs apresentou um protesto à IBSF para tentar reintegrar Heraskevych e entrou em contato com outras equipes para que se juntassem à ação. Um porta-voz da IBSF declarou à Reuters que recebeu um e-mail, mas nenhum protesto formal.
Conclusão
A situação demonstra a complexidade de equilibrar a liberdade de expressão com as regras e regulamentos esportivos, especialmente em contextos de conflito. O caso de Heraskevych reacende debates sobre o papel do esporte como ferramenta de protesto e a importância de honrar as vítimas de conflitos armados.
