Morte de Influenciador Suscita Debate Sobre Sinal de Frank e Riscos Cardíacos
A trágica morte do empresário e influenciador digital Henrique Maderite, aos 50 anos, ocorrida em seu haras em Ouro Preto (MG), horas após a publicação de um vídeo, reacendeu o interesse sobre sinais físicos que podem indicar problemas cardíacos.
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Imagens e relatos que circulam nas redes sociais apontaram a presença do chamado “sinal de Frank”, uma marca diagonal no lóbulo da orelha que tem sido objeto de estudo na cardiologia há décadas.
O que é o Sinal de Frank?
Originalmente descrito em 1973 pelo pneumologista Sanders T. Frank, o sinal consiste nessa prega no lóbulo da orelha. A pesquisa científica busca entender se essa marca é apenas um efeito do envelhecimento ou um indicador de aterosclerose, a principal causa de doenças cardíacas.
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Interpretação e Utilidade Clínica
O cardiologista Eduardo Gomes Lima, coordenador de temas livres para o congresso de 2026 da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), explica que o sinal é uma ferramenta de triagem de baixo custo e fácil identificação. Ele ressalta que não é um diagnóstico, mas sim um marcador de risco. “O sinal de Frank não é um exame diagnóstico e não confirma, por si só, a presença de doença coronariana.
Ele deve ser interpretado apenas como um possível marcador de risco.”
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Relação Orelha e Coração
Lima acredita que a conexão entre a orelha e o coração pode estar relacionada à microangiopatia. “Estudos de autópsia mostraram que, na região da prega, pode haver degeneração dos pequenos vasos sanguíneos e do tecido nervoso local. Essa alteração vascular pode refletir alterações semelhantes nos vasos do coração.”
Limitações e Considerações
O médico Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, adverte que o sinal deve ser analisado com cautela. “Não existe evidência robusta para usar o sinal como um fator preditor na sua clínica, no seu cotidiano de doença arterial coronariana e, consequentemente, de…” Moraes destaca a variação estatística do sinal, que compromete sua reprodutibilidade. “Quando você tem uma variação de resultados muito grande, isso sugere que o dado não se repete com confiança.
Isso acaba desfavorecendo esse sinal como um marcador importante para a decisão do médico.”
Pesquisas e Correlações
Estudos internacionais corroboram que a morfologia da prega (se é profunda ou bilateral) altera o nível de alerta. Um estudo com 1.050 adultos, publicado no The American Journal of Medicine, concluiu que o risco cardiovascular estimado era maior em indivíduos com o sinal de Frank completo e bilateral. 58% das pessoas com pregas em ambas as orelhas apresentavam risco moderado a muito alto, contra 23,8% naquelas sem a marca.
A Stanford Medicine destaca que, além da forte associação com doenças coronarianas e vasculares periféricas, o sinal tem sido objeto de estudo até na medicina alternativa, onde a área afetada no lóbulo apresentou maior sensibilidade e condutividade elétrica em exames de reflexologia auricular.
Fatores de Risco e Avaliação Clínica
Apesar da correlação estatística, o consenso entre os especialistas é que o sinal não substitui a avaliação dos fatores de risco tradicionais, como colesterol, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar positivo. Esses são dados que a avaliação clínica considera relevantes.
