Em fevereiro deste ano, realizei minha nona viagem de heliski. A experiência transcende a simples prática de esquiar; é uma jornada existencial. Para quem não vivencia essa modalidade, o heliski consiste em esquiar em áreas remotas, acessíveis exclusivamente por helicóptero, sem pistas preparadas ou infraestrutura.
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A aventura se concentra em montanhas intocadas, neve profunda e decisões técnicas tomadas a cada descida.
Diferenças Cruciais
Ao contrário de modalidades tradicionais, onde as pistas são demarcadas e a neve é tratada, o heliski oferece uma experiência única e imprevisível. A montanha não se submete às expectativas do esquiador; é o esquiador que deve se adaptar às condições.
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Essa dinâmica gera uma adrenalina silenciosa, que começa no treinamento e se intensifica com a consciência dos riscos da montanha, da floresta e das avalanches. O uso de equipamentos como beacon (transceptor), pá e sonda, juntamente com protocolos de segurança, são elementos cruciais.
Sobrevivência e Disciplina
Nesse contexto, a disciplina não é apenas uma formalidade, mas sim uma questão de sobrevivência. A força nas pernas é fundamental para suportar a flutuação na neve profunda, a resistência é necessária para descidas longas, e a estabilidade do core garante o controle.
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O controle emocional é, talvez, o aspecto mais importante, pois o heliski exige uma postura de respeito e escuta.
Momentos de Gratidão e Conexão
Durante as paradas para o almoço, em meio a um cenário exuberante com esquiadores de diversas nacionalidades – austríacos, italianos, americanos e brasileiros – a adrenalina diminui, dando lugar à gratidão. A sopa quente, diretamente da garrafa térmica, se torna um conforto incomparável.
A experiência se aprofunda com a conexão entre os participantes, que se tornam íntimos após anos de estudo do terreno.
Destinos Fascinantes e Desafios Globais
Os principais destinos de heliski estão no Canadá, especialmente na Colúmbia Britânica, considerada o berço da modalidade. A combinação de neve abundante, geografia extensa e áreas preservadas permite acesso a territórios imensos e pouco explorados.
Outros destinos igualmente fascinantes incluem o Alasca, com suas linhas dramáticas; a Islândia, que une montanhas e oceanos; e regiões remotas da Rússia e da Georgia, conhecidas por seu isolamento extremo. Cada destino imprime uma personalidade única, e a experiência se repete a cada temporada.
