Ações da Hapvida (HAPV3) Registram Forte Queda na Bolsa
As ações ordinárias da Hapvida (HAPV3) enfrentaram um dia de forte desvalorização na bolsa de valores, com uma queda de 8,39%. Esse movimento reflete a reação negativa do mercado em relação a mais uma mudança na alta administração da operadora de planos de saúde.
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A Hapvida anunciou a nomeação de Alain Benvenuti como novo vice-presidente comercial. Benvenuti havia renunciado ao cargo de diretor operacional (COO) há menos de um mês. Analistas consideram essa troca como mais um episódio de instabilidade na estrutura de liderança da companhia.
Em dezembro, o então diretor financeiro (CFO) da empresa, Jorge Pinheiro, assumiu a presidência, substituindo o fundador da Hapvida. Benvenuti, por sua vez, ocupava o cargo que foi deixado vago por Rafael Andrade até outubro do ano anterior.
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Segundo o Bradesco BBI, a troca representa uma “nova reviravolta” na gestão. O Safra também destacou que a alteração não era esperada pelo mercado. “Tantas mudanças em cargos de liderança em um prazo tão curto podem não ajudar as ações a recuperar a confiança dos investidores”, afirmou o banco.
Apesar da queda, o Bradesco BBI manteve a recomendação de compra para os papéis da Hapvida, com preço-alvo de R$ 27, avaliando o impacto da notícia como misto. “A volta de Benvenuti deve contribuir para uma transição mais suave e reforçar a estratégia de retomada na área comercial, trazendo credenciais sólidas para impulsionar resultados”, disse o banco.
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As ações da Hapvida acumulam a segunda maior queda do Ibovespa no período. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, afirma que o papel tem sido impactado por um histórico recente de instabilidade na gestão e resultados decepcionantes, fatores que reduzem o apetite dos investidores.
O Bank of America reduziu o preço-alvo da ação para R$ 19, mantendo recomendação neutra, e citou um ambiente competitivo mais duro no setor de saúde suplementar e menor visibilidade sobre a recuperação da companhia.
O desempenho negativo reacende a memória de episódios recentes que abalaram a confiança do mercado. Em novembro de 2025, a ação da Hapvida eliminou R$ 6,8 bilhões em valor de mercado, segundo cálculo de Einar Rivero, da Elos Ayta. Na ocasião, a queda foi reflexo do balanço do terceiro trimestre.
Embora o resultado ajustado — que exclui efeitos não recorrentes — tenha mostrado crescimento do lucro, a inclusão dos chamados “one-offs” levou a companhia a registrar prejuízo líquido de R$ 57 milhões. O número foi melhor do que o de um ano antes, quando o prejuízo somou R$ 71,3 milhões, mas, na avaliação do mercado, o problema central é que esses efeitos não recorrentes vêm se tornando cada vez mais frequentes no balanço da empresa, alimentando dúvidas sobre a consistência da recuperação financeira da Hapvida.
