Grupo Fictor em Crise: Investidores Retiram R$ 3 Bilhões da Comercialização de Grãos

Crise no Grupo Fictor: Investidores pedem R$ 3 bilhões e grãos são encerrados! Laudo aponta risco financeiro após ligação com Banco Master. Saiba mais.

27/02/2026 12:05

4 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Crise Reputacional Afeta Negócios do Grupo Fictor

A situação financeira do Grupo Fictor, atuante nos setores de agro e alimentos, está sob forte impacto da crise reputacional desencadeada pela tentativa de compra do Banco Master. Um laudo da Laspro Consultores, anexado ao processo de recuperação judicial e com acesso da CNN Brasil, detalha os efeitos dessa associação.

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O documento aponta que a ligação com o Banco Master resultou em cancelamentos de contratos, retração de fornecedores e uma pressão significativa de investidores, afetando diretamente a liquidez e levando ao encerramento de parte das operações de grãos.

Segundo a Laspro Consultores, a crise reputacional decorrente da associação com o Banco Master teve um impacto direto nos negócios de comercialização de grãos, que foram encerrados. A situação também afetou parceiros comerciais, gerando cancelamentos contratuais, dificuldades financeiras e, consequentemente, a retração de fornecedores.

Apesar disso, algumas unidades dos segmentos de alimentos e agro continuam operando, com plantas industriais e estruturas produtivas em funcionamento.

O laudo ressalta a necessidade de maior transparência e monitoramento das operações financeiras e patrimoniais do grupo, especialmente no que tange às transações entre as empresas do segmento agro e alimentos e outras subsidiárias do Grupo Fictor.

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Em outubro de 2025, a Fictor Holding transferiu R$ 131,6 milhões para as subsidiárias, incluindo R$ 14,7 milhões para a Fictor Alimentos e R$ 7 milhões para a Fictor Agro.

A empresa alega ter sofrido um “abalo reputacional súbito e relevante” após a proposta de aquisição do Banco Master e a subsequente liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central do Brasil. De acordo com o laudo, investidores que aplicaram recursos por meio de SCPs (Sociedades em Conta de Participação) teriam solicitado o resgate de cerca de R$ 3 bilhões, equivalente a 71,38% do total aportado, destinados principalmente à comercialização de grãos.

Análise da Situação Operacional das Unidades

O laudo descreve situações distintas entre as empresas do grupo. A Fictor Agro Holding, controlada diretamente pela holding, foi verificada em fevereiro de 2026 com funcionamento administrativo ativo, embora predominantemente em regime de home office.

Já a Fictor Agro Comércio de Grãos não apresentava atividade operacional no endereço informado, estando as instalações fechadas e sem funcionários.

Por outro lado, a Fictor Agroindustrial, subsidiária integral da holding, mantém operações no Maranhão em parceria com empresas detentoras de silos. Na unidade de Balsas (MA), foram constatadas um galpão de armazenamento, uma balança em funcionamento, maquinário para movimentação de carga, estoque físico de arroz e um prédio administrativo.

A operação está vinculada à safra 2025/26, com colheita prevista para março.

A Fictor Alimentos Ltda. e Fictor Alimentos S.A., também controladas pela holding, apresentavam atividades principais em funcionamento, com operações administrativas centralizadas e majoritariamente remotas. A Fredini Alimentos opera com cerca de 430 colaboradores.

As unidades de armazenagem em Pequi (MG) e a fábrica de ração em Maravilhas (MG) estavam em funcionamento. A fábrica tem capacidade de produção de 30 toneladas por hora e realiza cerca de 10 rotas diárias para abastecimento de aviários integrados.

A Fictor Alimentos Betim, conhecida como Mellore, também foi verificada em plena atividade, com produção, movimentação de cargas e administração em operação. Embora não esteja incluída no pedido de recuperação judicial, é integralmente controlada pela Fictor Alimentos S.A.

No caso do Frigorífico Atalaia, após um embaraço inicial à fiscalização, o laudo apontou funcionamento regular das unidades industriais. A fábrica de ração em Coronel Xavier Chaves (MG) tem capacidade de 30 toneladas por hora e emprega cerca de 30, enquanto o frigorífico em Prados (MG) possui capacidade de abate de 40 mil aves por dia e cerca de 500 empregados.

Uma situação diferente foi registrada na Fictor Alimentos Rio. Em janeiro de 2026, houve a rescisão do contrato de arrendamento firmado com a empresa Rica, marca da Reginaves Indústria e Comércio de Alimentos, por descumprimento de obrigações pela Fictor.

Uma decisão judicial determinou a devolução imediata das unidades fabris arrendadas, incluindo imóveis, instalações, maquinários e a marca “Rica” à proprietária.

Considerações Finais

O laudo destaca a necessidade de maior transparência e monitoramento das operações financeiras e patrimoniais do grupo, especialmente no que tange às transações entre as empresas do segmento agro e alimentos e outras subsidiárias do Grupo Fictor.

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