Transformando a Visão em Realidade: A Cultura como Motor Estratégico
A definição de cultura organizacional vai muito além de palavras bonitas ou um discurso inspirador. Ela reside naquilo que é vivido no dia a dia da empresa, no comportamento dos colaboradores e na forma como as decisões são tomadas. Transformar essa percepção em prática é um dos maiores desafios para líderes e equipes de Recursos Humanos.
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Essa jornada exige disciplina conceitual, coerência executiva e um compromisso de longo prazo.
O exemplo do Grupo Elfa ilustra essa complexidade. Em um ecossistema de saúde altamente regulamentado, com exigências logísticas e de confiabilidade, a cultura organizacional precisava sustentar simultaneamente eficiência operacional, proximidade com o cliente e responsabilidade sanitária.
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Não se tratava de escolher valores “bonitos”, mas de explicitar padrões de comportamento compatíveis com a ambição estratégica da empresa.
Os 4 Ds para uma Cultura Eficaz
Uma abordagem pragmática para construir uma cultura sólida se baseia em quatro movimentos complementares, conhecidos como os 4 Ds: Diagnosticar, Definir, Demonstrar e Declarar. Cada um desses passos é fundamental para garantir que a cultura se torne um motor estratégico para o sucesso da organização.
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1. Diagnosticar: Ouvir para Compreender
O diagnóstico cultural eficaz não se limita a validar o que a liderança já pensa. Trata-se de uma investigação profunda sobre como a organização realmente funciona. Isso envolve escuta ampla, análise de rituais, contradições e decisões do dia a dia.
No caso do Grupo Elfa, a abertura para ouvir uma parcela relevante dos colaboradores, inclusive com espaço para críticas, foi um elemento central para que a cultura pretendida não nascesse desconectada da realidade vivida.
2. Definir: Traduzir Valores em Prática
Após o diagnóstico, o próximo passo é definir a cultura, transformando direcionamentos culturais em uma arquitetura simbólica clara. Isso envolve a criação de um manifesto, propósito, missão, visão e valores. É crucial que a definição seja traduzida em práticas, combinando movimentos “de cima para baixo” e “de baixo para cima”.
O ciclo de feedback entre liderança e colaboradores garante que os elementos culturais deixem de ser meras peças de marketing interno e se tornem referências operacionais.
3. Demonstrar: Alinhamento de Comportamentos
Muitos projetos de cultura fracassam porque não conseguem demonstrar a cultura de forma consistente. Isso significa desenhar a jornada do colaborador de ponta a ponta, desde a atração e seleção até a avaliação, reconhecimento e promoção, de forma alinhada com a cultura alvo.
Sistemas e símbolos devem refletir os valores da organização. Por exemplo, se a empresa valoriza a colaboração, a recompensa deve ser baseada em resultados em equipe, e não apenas em desempenho individual.
4. Declarar: Engajar e Sustentar a Cultura
Declarar a cultura não se resume a lançar campanhas de marketing. Trata-se de engajar as lideranças como guardiãs da cultura. A cultura se consolida nas microinterações líder-liderado, e não nos grandes eventos de lançamento. Edgar Schein lembra que cultura e liderança são duas faces da mesma moeda: líderes criam cultura e, depois, a cultura molda os líderes.
Portanto, declarar a cultura é, em grande parte, desenvolver lideranças capazes de vivê-la. É importante reconhecer que a construção de uma cultura forte é uma jornada de anos, com reforço contínuo, ajustes de rota e, inevitavelmente, pessoas que não se alinham com a cultura.
Fatores Chave para uma Cultura Eficaz
A experiência mostra que algumas características são cruciais para o sucesso de uma cultura: coerência executiva (a alta liderança pratica o que prega), método (processo, não apenas inspiração), escuta real (divergências são vistas como dados, não como ameaças), integração com gestão (cultura conversa com metas, processos e indicadores) e persistência (compreensão de que cultura é maratona, não sprint).
Uma cultura organizacional bem-sucedida não é apenas a entrega do RH; é uma responsabilidade compartilhada de toda a gestão. O RH pode arquitetar, facilitar e provocar, mas quem consolida a cultura é a liderança no exercício diário do poder e da decisão.
Quando bem conduzida, a cultura deixa de ser um tema “encantador” e se torna um ativo estratégico, invisível, mas decisivo, difícil de copiar e, quando alinhada à estratégia, um dos poucos verdadeiros diferenciais competitivos sustentáveis.
