Grupo Cintra expande produção e busca 10% do mercado nacional

A história da Cintra, a cerveja que desafiou gigantes no Rio de Janeiro, é um relato de ambição, estratégia e, no fim, descontinuidade. A marca, que surgiu nos anos 2000, hoje se tornou apenas uma lembrança.
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O Surgimento da Cintra
Nos anos 90, o empresário português José de Sousa Cintra, conhecido por sua experiência no Sporting Clube de Portugal, investiu no Brasil, trazendo consigo um grupo diversificado que incluía atuação no setor de petróleo, imobiliário e água mineral.
Em 1997, o grupo Cintra adquiriu uma fábrica desativada da Kaiser em Mogi Mirim, interior de São Paulo, vislumbrando uma oportunidade no mercado brasileiro de cerveja, que na época era dominado por poucas empresas. A lógica era simples: uma fábrica já existente, estrutura parada e um mercado consumidor em grande escala.
A expansão da Cintra se consolidou com a construção de uma segunda planta em Piraí, no Rio de Janeiro. Juntas, as duas fábricas possuíam capacidade para produzir 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de litros de refrigerante por ano, com a Cintra também engarrafando refrigerantes.
A estratégia da empresa era clara: competir no preço, oferecendo uma opção econômica para o consumidor.
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A Quarta Maior Produtora
Em apenas dois anos, a Cintra alcançou a quarta maior produção de cerveja do país, impulsionada por uma estratégia agressiva de preços. A marca se posicionou como a opção mais acessível, especialmente no Rio de Janeiro, onde detinha cerca de 5% do mercado – um número expressivo para uma marca recém – chegada.
Os executivos do grupo Cintra almejavam 10% do mercado nacional em cinco anos e até mesmo a construção de novas fábricas, incluindo uma no Mato Grosso do Sul.
A ambição de Sousa Cintra ia além do preço baixo. A empresa também buscava expandir sua distribuição e investir em marketing contínuo, visando uma guerra de mercado de longa duração. No entanto, a falta de uma rede de distribuição capilar e a dificuldade em manter um investimento constante em marketing limitaram o crescimento da Cintra.
Aquisição e Desaparecimento
Em 2007, Sousa Cintra vendeu as duas fábricas da Cintra à Ambev por 150 milhões de dólares. O interesse da Ambev não era na marca em si, mas sim na capacidade instalada das plantas, que poderiam ser utilizadas para ampliar a produção dos próprios produtos da empresa.
O Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, determinou que a Ambev não poderia ficar com a marca e a rede de distribuição da Cintra, para evitar a concentração de mercado. Como resultado, a marca e seus ativos foram vendidos à Schincariol em 2008 por 39 milhões de reais.
A Cintra então passou a fazer parte do portfólio da Schincariol, ao lado de marcas como Nova Schin e Devassa. A partir daí, a Cintra se tornou parte de uma sucessão de donos. Em 2011, a Schincariol foi comprada pela japonesa Kirin, que a renomeou como Brasil Kirin.
Em 2017, a Brasil Kirin foi adquirida pela holandesa Heineken por 2,2 bilhões de reais. A Cintra continuou a fazer parte do portfólio da Heineken Brasil, figurando em catálogos oficiais da empresa por alguns anos, mas eventualmente sumiu das listas mais recentes.
A história da Cintra ilustra a dinâmica do mercado de bebidas, onde a ambição, a estratégia e a capacidade de adaptação são cruciais. A marca, que um dia desafiou gigantes como Brahma e Antarctica, acabou se tornando apenas uma lembrança, um exemplo de uma aposta que não vingou no longo prazo.
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