Um estudo realizado por cientistas dinamarqueses e canadenses, publicado na revista JAMA em 2025, apontou um aumento significativo na procura por medicamentos para emagrecimento entre mulheres que estavam no pós-parto. A pesquisa se baseou em dados coletados entre janeiro de 2018 e junho de 2024 na Dinamarca, revelando uma correlação entre nascimentos e prescrições médicas de semaglutida e liraglutida, componentes ativos presentes nas canetas utilizadas para este fim.
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As descobertas mostraram que, durante o período analisado, cerca de 1.549 grávidas utilizaram as canetas com os ativos mencionados, preenchendo ao menos uma receita entre o nascimento do bebê e os primeiros 182 dias pós-parto. Os resultados indicam uma mudança rápida no padrão de consumo desses medicamentos.
Em 2018, o número de mulheres que utilizavam esses medicamentos para emagrecer após o parto era inferior a cinco por cada 10 mil parturientes. A disponibilidade das canetas das marcas Ozempic e Wegovy, ambas contendo semaglutida, que eram originalmente indicadas para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2, foi liberada na Dinamarca em 2022.
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Mette Bliddal, pesquisadora da Universidade do Sul da Dinamarca e autora do estudo, observou um aumento drástico no uso desses fármacos a partir de 2023.
A tendência também se refletiu no Brasil, com um aumento na procura por essas canetas, que não se restringe apenas a grávidas com obesidade. Carlos André Minanni, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita (GO), comentou: “A busca se dá tanto por pessoas que já apresentavam sobrepeso ou obesidade antes da gestação quanto por puérperas com um Índice de Massa Corporal (IMC) não tão elevado”.
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Minanni ressaltou que os motivos por trás dessa procura estão frequentemente ligados à pressão estética e a questões de autoestima. Essa situação leva muitas mulheres a adotarem dietas restritivas, a realizarem procedimentos invasivos e a utilizarem medicamentos sem a devida orientação médica.
Ainda há uma carência de estudos sobre o uso dessas canetas emagrecedoras no período pós-parto. Estudos menores não identificaram quantidades relevantes dessas substâncias no leite materno e não houve relatos de danos aos bebês lactentes. No entanto, os medicamentos podem causar efeitos colaterais, como náusea, vômito, diarreia, constipação, maior fadiga, risco de má nutrição e, raramente, colecistite ou pancreatite.
