Governo Trump lança Nova Doutrina Monroe na América Latina. Ação contra Maduro é “ato inaugural” da política, segundo especialista. EUA buscam dominância no hemisfério ocidental e controle de recursos
A política do governo Donald Trump para a América Latina, anunciada em dezembro de 2017, delineava um controle maior dos Estados Unidos sobre a região. Essa proposta retomava conceitos da Doutrina Monroe, ideal do século XIX que visava afastar potências europeias da política das Américas, sendo utilizada para que os EUA intervissem em diversos países em defesa de seus interesses.
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O início da aplicação dessa política se manifestou com a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro de 2018. Segundo o professor Ronaldo Carmona, da Universidade de Brasília, essa ação representava o “ato inaugural da Nova Doutrina Monroe”, expressa em um documento público no início de dezembro.
A ação, que envolveu a extração do então presidente de um forte militar em Caracas, demonstrava uma clara mensagem aos demais países: qualquer tentativa de oposição ao objetivo declarado e proclamado na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos – estabelecer a dominância sobre o hemisfério ocidental – não seria tolerada.
A Nova Doutrina Monroe, conforme articulada pelo governo Trump, visava expurgar a presença de potências extrarregionais, especialmente a China, da América Latina. Essa estratégia, segundo Carmona, buscava garantir que os Estados Unidos mantivessem o controle sobre os recursos naturais da região, em particular o petróleo.
A ação contra Maduro pode ter efeitos significativos na relação entre os EUA e a América Latina. O Brasil, por exemplo, enfrenta um choque direto com a posição americana de estabelecer um domínio hemisférico pleno, em contraposição ao objetivo brasileiro de promover a integração da América Latina.
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Essa divergência se manifesta na Estratégia de Defesa brasileira, que prevê projetar poder no entorno estratégico sul-americano.
A situação se agrava com o alinhamento de alguns países da região, como o Paraguai, e com a eleição de governos de direita, como o de Javier Milei na Argentina, que buscam assinar acordos de livre-comércio com os EUA, ameaçando o Mercosul. A Argentina, ávida por esse acordo, representa uma ameaça direta à base do bloco, que é a tarifa externa comum.
Diante desse cenário, o Brasil deve persistir no caminho da autonomia, da soberania e da independência. A tradição diplomática brasileira, iniciada no governo Vargas na Segunda Guerra Mundial, é a do não alinhamento, e deve continuar sendo seguida.
O Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, com inúmeras riquezas e grande população, não pode se submeter aos interesses geopolíticos de outra potência.
A situação da Venezuela, por sua vez, é precária. Uma acomodação entre Caracas e Washington pode resultar na diminuição do apoio venezuelano à ilha, agravando ainda mais sua situação econômica. Cuba, por sua vez, tende a resistir, com apoio da Rússia e da China.
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