Governo Lula alerta para ofensiva dos EUA na Venezuela e desafios para política externa brasileira. Lula se posiciona contra intervenção militar na Venezuela
À véspera das eleições de 2026, o governo do Planalto, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou crescente preocupação com a escalada da influência dos Estados Unidos na Venezuela. O episódio, que ultrapassa o âmbito de um conflito regional, suscita receios sobre o impacto nas decisões brasileiras em áreas cruciais como energia, comércio e segurança nacional.
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A análise interna indicava que a situação poderia favorecer líderes ou projetos internos mais alinhados à agenda americana, gerando tensões políticas internas.
O alerta se intensificou com a divulgação da nova estratégia de segurança dos EUA, que ignora o BRICS e reforça uma versão robusta da Doutrina Monroe, apelidada de “Trump Corollary”. Essa doutrina visa reassertar a preeminência dos EUA no Hemisfério Ocidental, barrando a atuação de “competidores não-hemisféricos”, como a China.
A medida divide a região em áreas destinadas à cooperação com os interesses americanos e outras onde a influência dos EUA deve ser expandida. Essa dinâmica coloca o Brasil em uma posição delicada, considerando sua relação econômica com a China.
A preocupação interna se baseia em recentes tentativas de influência externa em processos eleitorais. Exemplos incluem a eleição de um partido de direita na Honduras, e a vitória de um presidente de direita na Argentina. A pressão americana pode se concentrar em temas como big techs, minerais críticos e influência chinesa.
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Setores ligados aos EUA já apostaram em líderes vistos como mais alinhados a interesses estrangeiros, como ocorreu nas eleições de 2018 e 2022.
Diante desse cenário, o governo Lula passou a se posicionar de forma mais firme contra uma solução militar na Venezuela. Em dezembro de 2025, o petista declarou que, se os problemas em disputa são os mesmos divulgados pela imprensa –tráfico de drogas na região do Caribe–, “não há razão para o uso de armas”.
O presidente avaliou que há algo além do discurso público de combate ao tráfico de drogas. Em 20 de dezembro, o chanceler Mauro Vieira classificou uma intervenção militar no país como uma “catástrofe humanitária para o hemisfério”.
A complexidade da situação na Venezuela, com o controle do país distribuído entre instituições, militares e setores da sociedade, dificulta qualquer mudança drástica. Apesar do distensionamento recente –como a retirada de sanções e a remoção de algumas tarifas sobre produtos brasileiros–, o Planalto avalia que o cenário com os EUA segue volátil, representando um desafio significativo para a política externa brasileira.
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