Governo espanhol inicia processo de regularização para 500 mil imigrantes, em resposta à demanda por mão de obra e histórico de regularizações
A discussão sobre a imigração tem ganhado destaque na política de diversos países ao redor do mundo. Essa tendência se manifestou de forma notável durante a administração de Donald Trump nos Estados Unidos, e também se intensificou na União Europeia.
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Em dezembro de 2025, a UE decidiu implementar “centros de retorno” em países de “terceiro mundo” para lidar com indivíduos em situação irregular.
Além dessa iniciativa, existe uma necessidade crescente de que os países membros da União Europeia atraiam mais trabalhadores para sustentar o Estado de bem-estar social. A Espanha, por exemplo, tem enfrentado essa questão há anos, com a ONU e o Banco da Espanha apontando a necessidade de aproximadamente 300 mil trabalhadores anualmente para manter o sistema de proteção social.
Para enfrentar essa situação, reduzir a economia informal e combater a exploração laboral, o governo espanhol iniciou, em 27 de março, um processo de regularização de meio milhão de imigrantes. Essa iniciativa será conduzida por meio de um Decreto Real, permitindo a regularização jurídica de indivíduos que solicitaram proteção internacional até 31 de dezembro de 2025, ou que possam comprovar uma permanência mínima de cinco meses até o final de 2025.
Para comprovar a permanência, os candidatos podem utilizar documentos públicos ou privados, ou uma combinação de ambos, e devem demonstrar a ausência de antecedentes criminais. A autorização concedida terá uma validade inicial de um ano e estará acompanhada de uma autorização de trabalho temporária, permitindo o acesso a qualquer setor da economia.
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O governo estima que o tempo de processamento das solicitações será de, no máximo, três meses, entre abril e junho de 2026. A partir da aceitação da solicitação, que deve ocorrer em até 15 dias, os candidatos poderão iniciar a atividade laboral.
O governo espanhol afirma que essa medida visa “dignificar” a vida de imigrantes em situação irregular. Estima-se que o número de imigrantes indocumentados no país possa ser maior do que o previsto, com a Funcas estimando 840 mil pessoas em situação irregular no início de 2025, com a maioria originários da América Latina.
Em 2017, o número era de aproximadamente 107 mil. A Funcas também aponta que a reforma dos procedimentos de regularização, que entrará em vigor em maio de 2025, poderá reduzir o montante total.
A Espanha possui um histórico de regularização de imigrantes, com iniciativas ocorrendo diversas vezes desde a década de 1980. Durante o governo socialista de Felipe González, mais de 38 mil pessoas receberam documentos em 1986, e entre 1991 e 1992, mais de 114 mil pessoas foram autorizadas a residir no país.
Sob a gestão de José María Aznar, entre 1996 e 2001, mais de 524 mil pessoas receberam documentos.
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