O governo chinês manifestou total apoio à empresa CK Hutchinson, sediada em Hong Kong, no processo de arbitragem internacional contra a decisão da Suprema Corte do Panamá que considerou inconstitucional o contrato que permitia à companhia operar portos nas extremidades do Canal do Panamá.
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A CK Hutchinson iniciou a ação de arbitragem, seguindo as regras da Câmara Internacional de Comércio, seis dias após a publicação da decisão judicial panamenha. Em comunicado, a empresa alegou que a decisão é resultado de uma campanha direcionada pelo governo panamenho, e que outros contratos similares não sofreram investigação.
O Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau – órgão do governo central chinês – classificou a decisão como “absurda” e “vergonhosa”, afirmando que o conglomerado chinês havia investido mais de US$ 1,8 bilhão nos ativos da empresa, e que o contrato está em vigor há quase 30 anos.
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Segundo o gabinete chinês, a decisão da Suprema Corte do Panamá foi influenciada por pressões de países com “ambições hegemônicas”, e que o governo panamenho atual encontra-se em uma situação de vulnerabilidade.
Influência dos EUA na Decisão
A CK Hutchison administra desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal, localizados nas extremidades do Canal do Panamá. Esses terminais possuem importância estratégica, pois estão situados em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico.
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Dados indicam que os dois portos sob administração chinesa foram responsáveis por quase 40% de todos os contêineres que passaram pela região em 2025.
O Canal do Panamá representa uma via navegável crucial para o comércio global, responsável por 5% do comércio marítimo mundial. A Suprema Corte do Panamá considerou os contratos irregulares por garantirem benefícios fiscais inconstitucionais à CK Hutchinson, que apresentou o caso em 2025, alegando que uma recente extensão do contrato da empresa custou ao país mais de US$ 1 bilhão em receita fiscal.
Reações e Posicionamentos
A decisão judicial foi celebrada pela Casa Branca. Em 31 de janeiro, o Departamento de Estado norte-americano publicou um comunicado reconhecendo a decisão da Suprema Corte, que, segundo o órgão, demonstrou a “maturidade democrática” do Panamá.
O comunicado foi assinado também por Paraguai, Equador, Bolívia, Guatemala, Costa Rica e Honduras.
Negociação em Xeque
Mesmo antes da decisão judicial, a saída da CK Hutchinson do Canal do Panamá era considerada provável. A empresa vinha negociando a venda de suas duas concessões, juntamente com outros 40 terminais, para um consórcio de investidores liderado pela americana BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, e pela italiana Macquarie.
A negociação caminhava para um acordo, mas houve uma interferência direta de Pequim que exigiu que a CK Hutchinson buscasse uma parceira chinesa para compor esse consórcio. A agência de notícias informou que a empresa chinesa que entraria no negócio é a China Merchants Port Holdings, que ficaria com a maior participação nos portos.
