Goldman Sachs: “Corrida do Ouro” em IA e muda estratégia com foco em hiperescaladores

Goldman Sachs Aponta “Corrida do Ouro” na Inteligência Artificial e Muda de Estratégia
Em 1849, na corrida do ouro da Califórnia, o lucro não residiu nos mineradores, mas nos comerciantes que forneciam ferramentas. Segundo Jim Covello, chefe de pesquisa global de renda variável do Goldman Sachs, “todo novo cluster de IA precisa dos mesmos chips.
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O fornecedor de infraestrutura recebe independentemente de quem vencer.”
Há dois anos, o Goldman Sachs aplicou essa lógica ao mercado de inteligência artificial (IA), recomendando que investidores apostassem em semicondutores, em vez de tentar identificar o laboratório de IA vencedor. A estratégia funcionou com precisão, impulsionando a Nvidia e Micron, que devem responder por cerca de um terço do crescimento do lucro por ação do S&P 500 em 2026, conforme o próprio Goldman Sachs.
A metáfora da corrida do ouro apresenta um problema que o mercado está começando a considerar. Os mineradores precisam encontrar ouro em algum momento, ou param de comprar picaretas. “As empresas de semicondutores prosperam à custa econômica de todos acima delas na cadeia.
Nunca vi nada igual em 16 anos cobrindo esse setor. Em algum momento, isso precisa se corrigir”, afirmou Jim Covello, em podcast gravado em 26 de maio.
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A dinâmica é inédita na história dos investimentos. Na era da internet, Cisco, Sun e Intel foram grandes beneficiárias da infraestrutura, mas as empresas acima delas na cadeia também começaram a lucrar rapidamente. No ciclo de IA, isso ainda não aconteceu.
Os hiperescaladores — Google, Microsoft, Amazon e Meta — continuam aumentando o capex mesmo com as ações pressionadas. O total de investimentos em IA deve chegar a US$ 7 a US$ 8 trilhões, segundo análise do Goldman Sachs Global Institute. George Lee, co-chefe do instituto, argumenta que a oportunidade de lucro que a IA poderia capturar ainda ficaria abaixo do retorno necessário para justificar esse valor.
O Goldman Sachs já mudou de posição, preferindo agora as ações dos hiperescaladores. O argumento é que as picaretas e pás já foram precificadas pelo mercado e o risco-retorno para os semicondutores começa a se deteriorar. Se o capex dos hiperescaladores desacelerar, a cadeia de chips enfrenta pressão de valuation e de pedidos simultaneamente, segundo o Goldman Sachs Insights.
A SemiAnalysis discorda do prazo, mas não da lógica. A firma de pesquisa argumenta que, de forma mais ampla, a demanda por tokens, receita de modelos e demanda de hardware sobem juntas, e o retorno chega para toda a cadeia, segundo o Bitget. A divergência entre as duas visões não é sobre o destino, mas sim sobre quando ele chegará.
“As empresas estão ganhando ou economizando dinheiro implementando IA? Se sim, a tecnologia vai cumprir sua promessa. Se daqui a dois anos ainda estivermos dizendo ‘é cedo’, pode ser que tenhamos um problema — porque, em algum momento, o curto prazo se torna o longo prazo”, disse Jim Covello.
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