A faca Ginsu, que surgiu nos EUA nos anos 20, conquistou o Brasil com comerciais icônicos e a estratégia do Grupo Imagem
A história da faca Ginsu é uma narrativa surpreendente, que se inicia muito antes de se tornar um ícone da televenda no Brasil. Nos anos 1920, a empresa Quikut, nos Estados Unidos, já produzia facas de baixo custo, destacando-se pela sua lâmina serrilhada e resistência.
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Durante décadas, o produto teve uma circulação limitada, vendido principalmente em lojas de utensílios domésticos, sem grande destaque de marca. Essa fase inicial, marcada pela produção em pequena escala e pela ausência de uma estratégia de marketing robusta, lançou as bases para o futuro sucesso da marca.
Em 1978, os publicitários Ed Valenti e Barry Becher assumiram a missão de transformar as facas genéricas da Quikut em uma máquina de vendas. A primeira decisão da dupla foi rebatizar o produto, buscando um nome com apelo internacional, sofisticado e com um toque oriental – não por origem, mas pela mística associada às espadas japonesas.
Nasceu assim o nome Ginsu, que não possui significado real em japonês, mas transmitia a sensação de precisão e poder de corte.
Com o nome Ginsu definido, a estratégia de marketing se concentrou na criação de comerciais impactantes. Inspirados em técnicas de venda direta, os anúncios da Ginsu eram apresentações ao vivo, repletos de frases de impacto, ritmo acelerado e demonstrações exageradas.
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Um dos comerciais mais famosos começava com a frase: “In Japan, the hand can be used like a knife…”, enquanto um ator cortava uma lata com a mão, até que o narrador intervém: “Don’t do that! You need Ginsu!”. A partir daí, a faca cortava pregos, tábuas, latas e até um tomate com perfeição – tudo em menos de 60 segundos.
A ideia era simples, mas revolucionária: mostrar o produto em ação, explorar o contraste entre força e precisão, e criar uma sensação de urgência. “Mas espere, tem mais!” se tornou o bordão que encerrava as ofertas irresistíveis.
No Brasil, o Grupo Imagem foi o responsável por transformar as facas Ginsu em um fenômeno. Fundada em 1991, a empresa estreou com apenas dois minutos de comercial no programa Jô Soares Onze e Meia, no SBT. O formato funcionou tão bem que, em pouco tempo, o grupo já ocupava madrugadas inteiras na Rede Bandeirantes e em outras emissoras.
As propagandas seguiam um roteiro imbatível: uma faca Ginsu cortava um prego, um sapato, uma lata, um cano e, para encerrar, um tomate ou um pão. A demonstração era sempre acompanhada de frases hiperbólicas, um locutor empolgado e uma oferta com tempo limitado.
O número (011) 1406 aparecia em destaque na tela, convidando o espectador a ligar “agora mesmo” e garantir a sua. O telefone era mais do que um canal de venda – virou uma marca cultural.
Após o auge nos anos 1990, a faca Ginsu desapareceu da TV brasileira – e junto com ela, o modelo de vendas que a transformou em fenômeno. O número 1406 saiu do ar, os comerciais sumiram das madrugadas, e o Grupo Imagem, responsável por essa operação, deixou de existir.
Nos anos 2000, o Grupo Imagem tentou se reinventar com produtos de emagrecimento e foco em bem-estar, mas já não era o mesmo. Os últimos registros da marca aparecem em 2004, ainda com algum espaço na CNT. A Ginsu, como marca internacional, continua existindo e vendendo facas online, com kits mais modernos, mas com o mesmo discurso de resistência e versatilidade.
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