Gestão Escolar em Crise: Violência, Desconexão e o Futuro da Educação Pública em 2026

Desafios na Gestão Escolar: Violência, Desconexão e o Futuro da Escola Pública
Uma pesquisa recente da Fundação Carlos Chagas (FFC) revelou um cenário preocupante no Brasil, com sete em cada dez gestores de escolas públicas enfrentando dificuldades significativas para lidar com questões de violência e discriminação dentro das instituições.
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O estudo, que envolveu 105 escolas, aponta que 71,7% dos gestores têm sérias dificuldades em discutir e solucionar problemas como bullying, racismo e capacitismo – preconceito contra pessoas com deficiência. Esse dado, que reflete um abismo relacional no ecossistema educacional, surgiu em meio a uma pesquisa chamada “Leitura Guiada”.
O diagnóstico da FFC resultou na criação do “Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras”, parte do Programa Escola das Adolescências (PROEA) do Ministério da Educação (MEC). A pesquisa expõe um problema central: a falta de um repertório institucional e técnico adequado para abordar conflitos complexos, muitas vezes enquadrados genericamente como “problemas”.
Especialistas da FFC, como Adriano Moro, destacam que o termo “problema” é frequentemente usado de forma vaga, diluindo questões estruturais como a misoginia e o racismo.
Fatores que Contribuem para a Dificuldade
Adriano Moro identifica três fatores cruciais para essa dificuldade: a naturalização da violência, que é vista como “brincadeira”; a fragilidade na formação de professores e gestores; e a sobrecarga institucional, que leva as equipes a atuarem apenas em situações emergenciais, como “apagando incêndios”.
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A pesquisa também revela que 67,9% dos gestores enfrentam desafios severos na aproximação entre a escola, as famílias e a comunidade, e mais de 60% indicam adversidades crônicas na relação entre professores e estudantes, além de dificuldades em promover o sentimento de pertencimento dos alunos.
Polarização e o Impacto na Escola
A pesquisa demonstra que o distanciamento entre a comunidade escolar e o entorno foi agravado pela polarização ideológica. Muitas escolas operam de forma defensiva, gerando um ciclo de exclusão das famílias e desautorização do corpo docente. Segundo Moro, a saída para esse impasse reside em reestabelecer pactos mínimos de convivência democrática na escola, substituindo a lógica da convocação e do controle pela participação real.
A escola deve ser um espaço de mediação dialógica, sem transformar diferenças em hostilidades permanentes.
Evasão e o Sentimento de Pertencimento
As consequências desse cenário são sentidas no engajamento dos estudantes. 64,1% dos gestores encontram barreiras para fortalecer os relacionamentos entre os alunos, e 49% lutam para garantir a segurança dentro do ambiente escolar. Moro alerta que essa falta de relações interpessoais provoca um esvaziamento do sentido da escola pública para os jovens, resultando em desengajamento e “evasão simbólica” – quando o estudante está presente fisicamente, mas desconectado do processo educativo.
A perda do significado subjetivo da instituição e a percepção dela como uma obrigação burocrática são os principais desafios.
O Guia e o Futuro da Escola Pública
O novo “Guia de Clima Escolar Positivo”, instituído em 2024, surge com o objetivo de subsidiar as equipes gestoras com ferramentas práticas para reverter esses índices, focando na humanização, no acolhimento e na mediação de conflitos. O guia busca transformar as escolas em territórios mais seguros e integrativos, promovendo a participação real e a convivência como parte central do projeto pedagógico.
A pesquisa destaca a importância de que a escola volte a ser um espaço onde as pessoas desejam estar, participar e construir algo coletivamente.
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