Geopolítica e Irã dominam Watches & Wonders em Genebra: o que esperar do luxo?

Geopolítica domina Watches & Wonders em Genebra! O conflito com o Irã preocupa o luxo. Saiba como o Oriente Médio sente o impacto em 2026.

16/04/2026 06:02

4 min

Geopolítica e Irã dominam Watches & Wonders em Genebra: o que esperar do luxo?
(Imagem de reprodução da internet).

Geopolítica Domina o Watches & Wonders em Genebra

Pelo segundo ano consecutivo, a geopolítica tem sido um tema central nos corredores do Palexpo, em Genebra, Suíça. É o cenário do Watches & Wonders, o maior evento mundial de relojoaria. O foco de preocupação mudou drasticamente em relação ao ano passado, quando o receio era sobre possíveis aumentos de tarifas impostos pelo governo de Donald Trump.

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A Tensão com o Irã e o Impacto no Luxo

Atualmente, a atenção está voltada para o conflito envolvendo o Irã. Um executivo de uma das grandes marcas presentes no evento em Genebra expressou receios sobre possíveis impactos, especialmente nos artigos de maior valor. Ele mencionou que, embora não tenham registrado quedas de vendas até o momento, a possibilidade é um assunto constante nas reuniões.

Incertezas no Mercado Global de Relógios

Segundo a Associated Press, o conflito, que se intensificou no final de fevereiro, aumentou a incerteza em um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente. Fatores como o aumento dos custos de energia, a interrupção de rotas aéreas e gargalos em insumos já começam a afetar o consumo de bens de luxo.

O Peso do Oriente Médio no Setor de Relógios

A região do Oriente Médio possui uma importância significativa para a indústria relojoeira. Oliver Muller, da consultoria LuxeConsult, informou ao diário The National, em Abu Dhabi, que a área é responsável por cerca de 10% das exportações suíças de relógios.

Desafios de Mercado na Região

Em locais como os Emirados Árabes Unidos, onde aproximadamente 60% das vendas dependem do turismo, o fluxo de visitantes diminuiu com a redução das viagens internacionais. Este cenário ocorre em um momento delicado, já lidando com inflação, alta nos preços de metais preciosos e tarifas comerciais dos Estados Unidos.

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Apesar disso, os dados mostram um movimento recente positivo. A Fédération de L’Industrie Horlogère Suisse apontou que as exportações de relógios para os Emirados Árabes Unidos cresceram 5,1% em fevereiro comparado ao ano anterior, antes do início do conflito.

Tendências de Consumo e Marcas em Destaque

O evento Watches & Wonders reúne 65 marcas e espera receber cerca de 60 mil visitantes em Genebra, em meio a um mercado incerto. No ano passado, as exportações suíças caíram cerca de 1,7%, impactadas principalmente pela desaceleração da demanda chinesa, segundo um relatório conjunto do Morgan Stanley e LuxeConsult.

O Poder dos Grandes Nomes e o Luxo Elevado

Em fevereiro, as exportações totais ficaram 9,2% acima do mesmo mês de 2025, impulsionadas pelo consumo nos Estados Unidos, Japão e França, que juntos representam 35% do mercado global. No Oriente Médio, quatro marcas — Rolex, Cartier, Patek Philippe e Omega — lideram, respondendo por mais da metade das vendas suíças.

O segmento de maior valor continua em ascensão. Relógios com preço superior a 50 mil francos suíços representaram 37% das exportações em 2025, um aumento em relação aos 33,5% registrados no ano anterior.

A Busca por Exclusividade e o Futuro do Luxo

Uma nova geração de colecionadores do Oriente Médio está redefinindo a indústria global de luxo, trazendo novas perspectivas para a alta relojoaria. O salão de Dubai, que ocorre no final do ano, já é reconhecido como o segundo mais importante do mundo, atrás apenas do Watches & Wonders.

Exigências Culturais e Crescimento Projetado

Os consumidores locais são bastante exigentes, valorizando o acabamento impecável, o respeito à herança cultural e, sobretudo, a exclusividade. Marcas como a Cartier criam peças sob encomenda com algarismos arábicos orientais e gravações caligráficas.

O mercado de luxo no Oriente Médio, avaliado em cerca de US$ 15,85 bilhões atualmente, projeta atingir aproximadamente US$ 31,7 bilhões até 2030, segundo o Boston Consulting Group. Esse crescimento é alimentado pelo aumento da renda e pela mudança nas preferências de consumo em mercados cruciais como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, caso o conflito não se prolongue.

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