Gêmeos de pais diferentes: o fenômeno raro que chocou a ciência em 2018!

Gêmeos de pais diferentes: a ciência explica o fenômeno raro! Saiba como a superfecundação heteropaternal ocorre e o que os especialistas descobriram.

25/04/2026 14:57

4 min

Gêmeos de pais diferentes: o fenômeno raro que chocou a ciência em 2018!
(Imagem de reprodução da internet).

O Fenômeno Raro: Gêmeos de Pais Diferentes

Embora pareça algo saído de um roteiro de ficção, a ciência comprova que é possível uma mulher ter gêmeos com pais distintos. Este fenômeno, embora extremamente incomum, possui um nome específico e tem chamado a atenção do público recentemente.

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O tema ganhou destaque após um caso noticiado pela BBC. Em 2018, uma mulher procurou o Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia para confirmar a paternidade de seus filhos gêmeos, nascidos dois anos antes.

O resultado surpreendeu até os especialistas envolvidos.

Como Ocorre a Superfecundação Heteropaternal

Segundo os pesquisadores, os dois bebês eram filhos da mesma mãe, mas apresentavam pais diferentes. A literatura científica mundial documenta cerca de 20 casos desse tipo. William Usaquén, diretor do laboratório, relatou que, em seus 26 anos de carreira, foi a primeira vez que testemunhou tal ocorrência.

A superfecundação heteropaternal acontece quando a mulher libera dois óvulos em um mesmo ciclo menstrual, um processo chamado poliovulação. Além disso, ela precisa ter relações sexuais com dois homens diferentes em um curto período de tempo.

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A Ciência por Trás da Dupla Paternidade

Se cada óvulo for fertilizado por espermatozoides de parceiros distintos, os nascimentos serão de gêmeos bivitelinos (fraternos), mas com paternidades diferentes. É importante notar que esse evento não ocorre em gêmeos idênticos, pois estes se originam de um único óvulo e um único espermatozoide.

Os cientistas apontam que as duas fertilizações devem ocorrer em um intervalo de aproximadamente 24 a 36 horas, período em que os óvulos ainda estão viáveis. Por essa combinação de eventos raros, a condição é considerada muito excepcional.

Investigação e Diagnóstico Científico

Para confirmar a paternidade, os pesquisadores empregaram uma técnica chamada análise de marcadores microssatélites. Este método compara pequenos trechos de DNA da mãe, dos filhos e do suposto pai. No caso colombiano, foram analisados 17 microssatélites.

Os resultados indicaram que o DNA de um dos homens coincidia apenas com um dos meninos, e não com o outro. Diante disso, o exame foi repetido integralmente para afastar qualquer erro laboratorial ou troca de amostras. O segundo teste confirmou exatamente o mesmo achado.

Dúvidas Comuns Sobre a Condição

Em 2024, a ginecologista e obstetra Amélia Losada esclareceu várias dúvidas sobre o tema. Ela enfatizou o quão rara é a gestação de gêmeos, e a superfecundação heteroparental é ainda mais incomum, somando a raridade dos gêmeos à dupla ovulação e às relações sexuais com parceiros diferentes.

Cuidados e Riscos na Gestação Gemelar

Não há cuidados específicos adicionais apenas pela heteroparentalidade; o acompanhamento deve focar nos cuidados gerais de gestações gemelares. É fundamental que o pré-natal seja feito por especialistas em alto risco, devido a riscos como prematuridade e alterações no suprimento materno.

Outros riscos incluem pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Além disso, o parto apresenta um risco adicional, pois em gestações gemelares há maior chance de cesárea, o que pode elevar o sangramento no pós-parto.

Como Saber se a Origem é Heteroparental?

Diagnosticar se a gestação gemelar é fruto de superfecundação heteroparental é um processo muito difícil. Geralmente, as mães apenas acompanham o desenvolvimento dos gêmeos, pois testes de DNA durante a gestação são invasivos e carregam riscos.

É importante desmistificar que as relações precisam ocorrer no mesmo dia. Existe uma janela de viabilidade para o óvulo e um período de cerca de 72 horas em que o espermatozoide sobrevive no canal vaginal. Assim, as relações podem ocorrer em até três dias diferentes.

A Representação na Televisão

O tema ganhou visibilidade no Brasil em 2024 com a novela “Pedaço de Mim”. A trama envolve Liana, personagem de Juliana Paes, que descobre estar grávida de gêmeos de pais diferentes: um do marido, Tomás, interpretado por Vladimir Brichta, e outro resultado de uma violência sexual sofrida no início da história.

A revelação se tornou o ponto central do conflito da novela, apresentando ao público o conceito de superfecundação heteropaternal. O elenco contou com nomes como Paloma Duarte, João Vitti, Jussara Freire, Martha Nowill e Antonio Grassi, e a produção ajudou a levar o conhecimento médico ao interesse popular.

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