Gatos lambem tutores por carinho, confiança ou para coletar informações químicas na pele humana, revelando vínculos emocionais importantes
Muitos donos de gatinhos se perguntam sobre o significado por trás das lambidas que seus felinos costumam dar. Essa prática, aparentemente estranha, é muito mais complexa do que parece. Os gatos não são conhecidos por seus “lambeijos” como os cachorros, mas essa ação tem um papel importante em seu comportamento social e emocional.
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A ciência explica que a lambedura dos gatos é, em grande parte, um comportamento herdado. Assim como as mães lambem seus filhotes para mantê-los limpos e promover vínculos sociais, os gatos aprendem essa habilidade desde cedo. Kristyn Vitale, especialista em comportamento animal da Maueyes Cat Science and Education, explica que “quando uma mãe lambe seus bebês, isso cumpre duas funções importantes: mantê-los limpos e promover vínculos sociais”, ressaltando que a lambida materna é uma das primeiras interações sociais que um filhote de gato experimenta. “É essencialmente uma forma de a mãe dizer: ‘eu te amo e cuido de você’”, afirma Vitale.
À medida que crescem, os gatos aprendem a se limpar sozinhos, geralmente a partir da quarta semana de vida. Com essa nova habilidade, alguns passam a retribuir o cuidado recebido, lambendo irmãos, outros gatos da casa e, em certos casos, humanos. Esse comportamento é chamado de “associados preferidos”, reforçando laços sociais.
Existem diferentes explicações para esse comportamento. Uma delas é a chamada “teoria da confiança”, que sugere que a lambedura é semelhante ao “alogrooming” (higiene mútua), um comportamento entre gatos em que eles só lambem outros gatos em quem confiam e que não veem como competição.
David Sands, psicólogo animal, explica que “Gatos adultos só lambem outros gatos em quem confiam e que não veem como competição”.
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Outras teorias incluem o interesse químico: gatos têm paladar extremamente sensível e podem estar investigando odores na pele humana, como sal, cosméticos ou restos de comida. “Lamber permite que eles coletem informações químicas”, afirma Sands.
Há ainda a chamada “teoria da posse”. “Gatos são verdadeiras máquinas de cheiro”, diz o especialista. “Quando eles lambem ou se esfregam em pessoas, muitas vezes . É uma forma de marcar território.”
Apesar das interpretações divergentes, pesquisas indicam que os gatos criam, sim, vínculos emocionais com humanos. Um estudo publicado em 2019 por Kristyn Vitale mostrou que gatos desenvolvem padrões de apego semelhantes aos dos cães. Em ambientes desconhecidos, animais com “apego seguro” apresentaram menos sinais de estresse quando seus tutores estavam presentes. “Nossos resultados indicam que, quando os gatos vivem em estado de dependência de um humano, esse comportamento de apego é flexível, e a maioria usa os humanos como fonte de conforto”, escreveu Vitale no estudo.
Em resumo: se o seu gato te lambe, pode ser carinho, confiança, curiosidade química ou até posse. Se não lambe, tudo bem também. Como lembra Vitale, “os gatos demonstram amor de muitas formas diferentes — a lambida é apenas uma delas”.
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