Frota pesada no Brasil depende de combustível poluente? Gás natural e biometano são alternativas sustentáveis. Veja o impacto e a necessidade de ação!
O sistema circulatório da economia brasileira é, sem dúvida, sua vasta frota de veículos pesados. Desde a década de 1950, com a escolha por estradas em vez de ferrovias e hidrovias, caminhões e ônibus se tornaram essenciais para a logística nacional, impulsionando o transporte de cargas e passageiros.
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No entanto, essa dependência tem um custo significativo. Apesar de representarem aproximadamente 4% de uma frota de 123,9 milhões de veículos (dados de 2024 da Veloe, Fipe e Senatran), essas frotas pesadas são responsáveis por uma parcela desproporcional das emissões de gases poluentes, impactando diretamente a saúde da população.
A maior parte dos 4,9 milhões de caminhões e ônibus ainda utiliza diesel, com 12 milhões de toneladas provenientes do exterior em 2024 (dados do MDIC).
A busca por alternativas sustentáveis é crucial. O uso de gás natural, em média, gera 27% menos emissões de CO2 por unidade de energia (BTU) em comparação com o óleo diesel (estudo de 2016 da Energy Information Administration – EIA). Paralelamente, o biometano apresenta valores de intensidade de carbono 89,4% menores que o diesel (nota técnica de julho de 2024 da EPE).
Essas opções já se mostram positivas em outros países, transformando o meio ambiente.
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A China, por exemplo, chegou a ter 30% das vendas de caminhões pesados movidos a gás natural, enquanto a Índia transformou o ar de Nova Délhi com mais de 5.700 ônibus a gás. A Europa mantém o gás e o biometano integrados à transição energética, mesmo com o avanço dos elétricos.
Se o Brasil destinasse a uma parte do gás hoje reinjetado (cerca de 18 bilhões de m³/ano), poderia atender aproximadamente 10% da frota nacional de caminhões, gerando uma receita bruta anual de R$ 105 bilhões e R$ 29 bilhões em tributos.
A substituição do diesel por gás natural ou biometano traz benefícios imediatos: menor custo por quilômetro rodado, menos ruído e maior vida útil de componentes mecânicos. Em cidades como Madri e Bogotá, a melhora na qualidade do ar é um resultado comprovado.
A redução nas emissões de material particulado (fuligem) em ônibus pode cair até 95%, evitando o lançamento de mais de 2 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Para que essa transição ocorra, é fundamental desenvolver um programa nacional robusto, com políticas públicas como o fomento de corredores de abastecimento, incentivos à renovação de frota urbana, integração com o RenovaBio e políticas de compras públicas com veículos a gás e biometano.
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