Tapetão: Justiça e Futebol Brasileiro em Contenda
O termo “tapetão” no futebol brasileiro descreve disputas complexas entre resultados e a Justiça. Historicamente, casos de rebaixamento e acesso chegaram ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ou Justiça comum, gerando polêmicas.
Casos emblemáticos incluem o Fluminense (1996), Botafogo (1999), Gama (2000) e Portuguesa (2013), envolvendo questões de escalação irregular de atletas e punições com perda de pontos. O STJD, guiado pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), busca garantir o cumprimento das regras e a isonomia na competição
A expressão “tapetão” no futebol brasileiro descreve uma situação complexa e controversa: quando os resultados conquistados dentro de campo são questionados e revertidos em tribunais. Historicamente, diversas disputas sobre rebaixamento, acesso ou títulos chegaram ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ou à Justiça comum, gerando polêmicas que marcaram campeonatos.
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Este artigo relembra os casos mais emblemáticos de “virada de mesa” no futebol nacional, analisando o contexto e as regras que permitiram essas reviravoltas.
A “virada de mesa” ou a disputa no “tapetão” ocorre quando um clube recorre a instâncias jurídicas para reverter uma punição ou um resultado esportivo. Geralmente, o motivo é a suposta infração ao regulamento da competição por parte de um adversário.
A alegação mais comum é a escalação irregular de atletas, seja por problemas de inscrição, documentação ou cumprimento de suspensão automática. A base legal para essas punições está no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
O artigo 214 do CBJD prevê a perda de pontos para a equipe que escalar um atleta em condição irregular. A punição padrão é a perda de três pontos, mais os pontos conquistados na partida em questão, o que na prática resulta na perda de quatro pontos em caso de vitória e três em caso de empate.
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Essa regra, por vezes, gera debates sobre a justiça do sistema, pois pode alterar drasticamente o destino de um clube com base em erros administrativos ou falhas de documentação.
Ao longo da história do Campeonato Brasileiro, diversos episódios de rebaixamento decididos nos tribunais se tornaram notórios. Abaixo, detalhamos os mais significativos.
Após terminar o Brasileirão de 1996 na penúltima colocação, o Fluminense estava rebaixado para a Série B. No entanto, um escândalo de manipulação de resultados envolvendo o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Ivens Mendes, e os presidentes de Corinthians e Athletico-PR, veio à tona.
Em meio à crise de credibilidade, a CBF decidiu anular o sistema de rebaixamento daquele ano, salvando Fluminense e Bragantino da queda.
O Botafogo foi um dos beneficiados de uma decisão judicial em 1999. O clube escapou do rebaixamento após o São Paulo ser punido com a perda de pontos pela escalação irregular do atacante Sandro Hiroshi, que tinha um “gato” (adulteração de idade).
A punição ao clube paulista alterou a tabela e salvou o Botafogo, rebaixando o Gama em seu lugar. A confusão gerada por este caso levou à criação da Copa João Havelange no ano seguinte.
Inconformado com o rebaixamento de 1999, o Gama recorreu à Justiça comum e obteve uma liminar para disputar a primeira divisão em 2000. A decisão judicial impediu a CBF de organizar o campeonato, levando o Clube dos 13 a criar a Copa João Havelange.
O torneio contou com 116 times divididos em módulos, e sua fórmula permitiu que o Fluminense, que estava na Série C, e o Bahia, na Série B, chegassem à fase final e retornassem à elite do futebol nacional.
Um dos casos mais recentes e polêmicos envolveu a Portuguesa. Na última rodada do Brasileirão de 2013, o clube escalou o meia Héverton no segundo tempo da partida contra o Grêmio. O jogador, no entanto, deveria cumprir suspensão automática por ter sido expulso em jogo anterior.
Denunciada no STJD, a Portuguesa foi punida com a perda de quatro pontos, o que a fez cair para a zona de rebaixamento e salvou o Fluminense, que havia terminado o campeonato entre os quatro últimos. Na mesma rodada, o Flamengo também escalou um jogador irregular (André Santos), foi punido com a perda de pontos, mas não foi rebaixado por ter uma margem maior na tabela.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) é o órgão máximo da justiça desportiva no Brasil, responsável por julgar em última instância as infrações disciplinares e as disputas que ocorrem nas competições nacionais. Suas decisões são baseadas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que estabelece as regras e as sanções para clubes, atletas, dirigentes e árbitros.
O papel do tribunal é garantir que o regulamento seja cumprido por todos os participantes, prezando pela isonomia e pela legalidade da competição. Embora as decisões sejam frequentemente vistas como uma interferência no resultado de campo, elas representam a aplicação das regras que os próprios clubes concordaram em seguir ao se inscreverem no campeonato.
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