Flash: Habilidade Impossível do Velocista da DC Desafia a Física e a Biologia

A Física Impossível do Flash: Uma Análise da Velocidade da Luz
Nos quadrinhos da DC, Barry Allen, o Flash mais conhecido, apresenta a habilidade de atingir a velocidade da luz. Wally West, considerado o Flash mais rápido, alcançou velocidades que, segundo os roteiristas, ultrapassaram 13 trilhões de vezes a velocidade da luz, durante uma evacuação que envolveu 532 mil pessoas em um microssegundo.
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No entanto, sob a perspectiva da física e da biologia, essa capacidade se mostra completamente inviável.
A questão central reside na força G, uma força que causa aceleração e exerce pressão sobre o corpo. Em diferentes direções em relação ao eixo vertical, a força G positiva empurra o sangue em direção aos pés, gerando uma sensação de peso aumentado e acumulando sangue nas extremidades inferiores.
Essa mudança no fluxo sanguíneo compromete o suprimento de oxigênio ao cérebro, podendo levar à perda da visão, culminando em um “black-out” completo, mesmo com a consciência preservada. A intensidade da força G, em torno de 6.000 g, seria fatal, esmagando o corpo humano instantaneamente.
Para que um ser humano sobrevivesse a uma aceleração gradual, essa precisaria ocorrer em velocidades muito menores. A 2 g, a jornada para atingir a velocidade da luz levaria mais de cinco meses, sem considerar a resistência do ar. A 1 g, a aceleração da gravidade terrestre é mais tolerável, demandando mais de 11 meses para alcançar a velocidade da luz.
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O ar, por sua vez, representa um obstáculo significativo. A velocidade do som, 1.235 km/h, já exige geometria especial em aeronaves para resistir à pressão e à resistência do ar, e a barreira do som pode destruir estruturas.
Na velocidade da luz, o atrito com o ar geraria calor intenso, incinerando o corpo humano em milissegundos. Para mitigar esse problema, a aura da Força de Velocidade, presente nos quadrinhos, funciona como um escudo que protege o corpo e redireciona o ar ao redor.
No entanto, do ponto de vista da física, essa solução é uma “admissão narrativa”, pois depende de uma energia externa fictícia para tornar o cenário biologicamente possível.
Além da aceleração e do atrito com o ar, a relatividade também impõe um limite intransponível. A teoria da relatividade especial, proposta por Albert Einstein em 1905, estabelece que, à medida que um objeto com massa se aproxima da velocidade da luz, sua massa efetiva aumenta, exigindo energia infinita para atingir essa velocidade.
Portanto, qualquer corpo com massa, incluindo um ser humano, não poderia alcançar a velocidade da luz.
Mesmo com o Grande Colisor de Hádrons acelerando partículas subatômicas a 99,9999% da velocidade da luz, a energia necessária para fazer o mesmo com um ser humano é inatingível. No entanto, em velocidades próximas à da luz, o tempo passaria mais lentamente para o Flash em relação a observadores externos, um efeito já utilizado em sistemas de GPS para corrigir a dilatação temporal.
Em resumo, embora o Flash possa existir nos quadrinhos, graças à Força de Velocidade, a física conhecida impede que um ser humano alcance a velocidade da luz. A aceleração, o atrito com o ar e a relatividade representam três obstáculos intransponíveis, tornando a capacidade do Flash uma licença poética da narrativa em detrimento da realidade científica.
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